Tudo arde sobre a pele

Tudo arde sobre a pele

 

O rito das emoções começa Onde e Quando

o soberbo vazio faz nascer no espaço-tempo

o glorioso,

o impávido Amor.

 

Soletro o fogo no alfabeto de mim,

caí o ténue véu que envolve a loucura

decotada dos meus seios,

a nudez paira nos teus olhos soltos

no presente momento.

 

Pérolas de chuva fustigam os corpos,

pele fervente e exsudada combatem

longos duelos de Amor,

quebram –se os princípios entre a espuma que desce

Como descobri que era Poeta

Foi por acaso que Jomad’o Sado

Descobriu um dia que era um Poeta

Tinha ido até à cidade, montado na bicicleta

Ia à praça para ver o que havia lá de pescado

 

Parou entretanto num pequeno Café

Ali mesmo na esquina, perto do Sr. Zé

Pediu um café daqueles bem tirados

Reparou no canto na Rita e o José irritados

 

Aproximou-se deles para ver que se passava

Porque motivo ela dele tanto reclamava

Será que posso em algo ajudar

Disse simpático para a conversa pegar

 

Estar vivo

Como sentir que estou vivo

Como ainda perceber que respiro

São coisas que não vêm no livro que lemos

E todos o lemos quando nascemos

 

 

O milagre da vida, fruto de dois diferentes

Amor transformado em seres inteligentes

De um apenas, multiplicar-se por centenas

Moléculas que criam braços, corpos, pernas

 

E nascer, tudo é sinónimo de sofrer

A dor de cair, sem ainda se aperceber

Perder aquele espaço, aquele intervalo

Onde tudo fazia sentido, sem qualquer abalo

 

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