Céus em lágrimas

De mancinho em sussurros vieram aquelas nuvens do nunca mais,
As colinas delicadas não eram elas as mesmas,
Pareceu-me triste
Tal qual quem aceita a dor de ser algo que passa e não volta.

Aproximou-se descalço os dengosos mansos torvelinhos
O firmamento estava ferido por dentro,
As estradas belas com lama cor de brasa na cintura curva
De meu cós rés sentindo sendo a visão infinita mais que vida.

Sempre Viva

O relógio da torre continua seu trabalho,
sempre preciso e alheio ao que se passa.
Pois no tempo não há uma fenda, um talho,
e sempre é preciso ser alheio ao que se passa.
 
como a flor, rósea e seca, que deixaram na sua porta.
sempre-viva, arrancada com força, por um que passa.
que mal sabe da verdade: a sempre-viva, está sempre morta.
para sempre perdida... pela dor da pétala que se amassa.
 
arranco-lhe as pétalas perguntando se me amas ou não,

O Prazer

O Prazer
 
O prazer que lhe bate a cara,
morde, arranha, marca...
O prazer da língua que não fala,
o gemido de dor,
que causa prazer.
A cara se retorce,
não se sabe de que:
dor?
medo?
prazer!
certamente...
Ainda lhe bate a cara novamente,
porque deixá-la tão feia,
se inchada és mais bonita?
O prazer torna mais belo,
o que já se fez belo.

O meu sonho alegra-me

O meu sonho alegra-me

 

Diante do espelho dos segredos,

o Amor emerge

em deserto de grãos de mostarda,

em corpos tensos,

em duas mãos na verdade da respiração,

no olhar de dois olhos no ângulo da ausência,

em simetria quebrada nos meus seios,

caí a túnica que esconde o fruto proibido desde da Origem até

aos confins da fúria nudez persistente no momento único.

 

Afogada nos teus afagos de peito e chão onde o desejo conhece a

frescura infinita do prazer,

cantam  os anjos,

Aprender a sonhar

Era uma vez um sonho,
Feito de pérolas e puro oiro
Vivia escondido em ti
Até que por acaso o descobri

Era um sonho de criança
Com a ingenuidade da mudança
Preso por grilhões de esperança
Aguardando imuto por tua lembrança

Brilhava mais que o sol raiava
Cobria o céu de luz branca e alva
Era por ti que ele sonhava, ansiava

Sim, o sonho era verdadeiramente teu
Mas estimei-o como se fora agora meu
Envolto neste véu escuro em azul céu

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