MISÉRIA POUCA É BOBAGEM.

OLHO ESTE POVO A DORMIR,

NESTA NOITE DE LINDA LUA.

SINTO CHEGAR AO NARIZ,

UM CHEIRO FÉTIDO DE RUA.

 

AMONTOADOS ESTÃO,

COMO BICHOS NA CALÇADA.

EMBAIXO DE UMA MARQUISE

DESTA LOJA ABANDONADA.

 

FICO SENTADO OLHANDO,

MEUS BRAÇOS ESTÃO CRUZADOS.

PENSANDO, SERÁ QUE EXISTE,

SENTIMENTO NESTAS CARCAÇAS?

 

É GENTE ASSIM COMO EU!

SENTE FOME SENTE FRIO.

SENTE FALTA DE UM LAR...

TALVEZ, ESPOSA E FILHOS.

 

ARLETE KLENS.

 

 

Tudo arde sobre a pele

Tudo arde sobre a pele

 

O rito das emoções começa Onde e Quando

o soberbo vazio faz nascer no espaço-tempo

o glorioso,

o impávido Amor.

 

Soletro o fogo no alfabeto de mim,

caí o ténue véu que envolve a loucura

decotada dos meus seios,

a nudez paira nos teus olhos soltos

no presente momento.

 

Pérolas de chuva fustigam os corpos,

pele fervente e exsudada combatem

longos duelos de Amor,

quebram –se os princípios entre a espuma que desce

Como descobri que era Poeta

Foi por acaso que Jomad’o Sado

Descobriu um dia que era um Poeta

Tinha ido até à cidade, montado na bicicleta

Ia à praça para ver o que havia lá de pescado

 

Parou entretanto num pequeno Café

Ali mesmo na esquina, perto do Sr. Zé

Pediu um café daqueles bem tirados

Reparou no canto na Rita e o José irritados

 

Aproximou-se deles para ver que se passava

Porque motivo ela dele tanto reclamava

Será que posso em algo ajudar

Disse simpático para a conversa pegar

 

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