LÚDICO

 

a Ângelo Gabriel

 

Filho que pai

Sem parte inteiro

E fica de mãe abanando

O leite chorado das mãos.

Pipoca de dor a saudade

Que lambe o meu carrossel

E brinca de longe pertinho

De cabra-cega no escuro

De ´tô-no-poço´ sem fim

Num quebra-cabeça de sonho

Que corre o tempo ligeiro

E esconde-esconde de mim.

*NOUTES DE CHUVA*

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!
Se tu amas no Outomno--já sem rosas!--
A longa e lenta chuva nas vidraças,
E as noutes glaciaes e pluviosas!

N'essas noutes sem luz, que--visionarios--
Temos chymeras misticas, celestes,
E scismamos nos pobres solitarios
Que tiritam debaixo dos cyprestes!

Que evocamos os liricos passados,
As chymeras, e as horas infelizes,
Os velhos casos tristes olvidados,--
E os mortos corações sob as raizes!

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