Mamã

    Toda a Paz, todo o Amor, toda a Bondade,
    Toda a Ternura que de ti me vêm,
    Amparam-me esta triste mocidade
    Como nos tempos em que tinha Mãe.

    Quanto eu te devo! Odios, impiedade,
    Indignações e raivas contra alguem,
    Loucuras de rapaz, tedios, vaidade,
    Tudo isso perdi--e ainda bem!

    Salvaste-me! Trouxeste-me a Esperança!
    Nunca m'a tires não, linda criança,
    (Linda e tão boa não o farás, talvez!)

O mar que embala, ás noites, o teu somno

    O mar que embala, ás noites, o teu somno
    É o mesmo, flor! que á noite embala o meu.
    Mas em vão canta a minha ama do Outomno,
    Pois pouco dorme quem muito soffreu.

    Mas tu feliz qual rainha sobre o throno,
    Dormes e sonhas... no que, bem sei eu!
    O teu cabello solto ao abandono,
    As mãos erguidas de fallar ao céo...

    Feliz! feliz de ti, doce Constança!
    Reza por mim, na tua voz chymerica,
    Uma Avè-Maria de Esperança!

O lagarto está chorando

 

O lagarto está chorando 
A lagarta está chorando 

O lagarto e a lagarta 
Com aventaizinhos brancos 

Hão perdido sem querer 
Seu anel de casamento 

Ai! Seu anelzinho de chumbo, 
Ai, seu anelzinho chumbado 

Um céu grande e sem gente 
Monta em seu globo aos pássaros 

O sol, capitão redondo 
Leva um colete de raso 

Olhem que velhos são! 
Que velhos são os lagartos! 

Ai como choram e choram, 
Ai! Ai! Como estão chorando!

 

 

Suicídio Espontâneo Pré - Suicida Achocolatado

Vou me matar
De tanto comer chocolate
Pra eu te esquecer
Antes que eu me mate.

Na sua cabeça
Estou esquecida,
E agora o que eu vou fazer
Da minha vida?

Toda vez
Que eu vejo alguém
Parecido contigo
Sinto uma forte aversão enérgica,
Com certeza deve ser
Uma forte reação alérgica
À sua imagem
Que me faz sofrer de verdade.

Vou me matar
De tanto comer chocolate
Pra eu te esquecer
Antes que eu me mate.

Pages