Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

O ciclo da manada

Sob um mundo dinástico
eu enlouquecia
minha costumeira sensação do nada me perseguia
palavras nefastas bordadas
um painel em branco pela manhã
informa o vazio,
à tarde nuvens umedecidas
com o suor e lágrimas
dissipavam-se na noite
para continuar o painel
em branco,
é o ciclo da manada
que caminha
a longa jornada.
Amanhece outra vez, e as pegadas pesadas
não deixam rastro na poeira do asfalto,
são apenas sombras de botas gastas
marchando sob o mesmo teto alto.

A vida nunca tem fim

A vida nunca tem fim
(Mauro A Evaristo)

Pouco importa o lugar
Para tudo em volta equilibrar
Peço aos Anjos pra cantarem por mim
Pra quem tem fé a vida nunca tem fim.

Se você sai pra qualquer empreitada
Sequer valem armaduras ou armas
Se você não tem fé
O chão não é seguro sob seus pés.

Em qualquer que seja o lugar
A vida nunca tem fim
Peço aos Anjos pra cantarem por mim

Vejo tudo em volta equilibrar,
Sinto perfume e leveza no ar
Sinto paz todo dia agindo assim!

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Mais atenção

Mais atenção
(Mauro A Evaristo)

Beba você água ou não
Só não vá reclamar da situação
Boca seca, lábios rachados,
Dor de cabeça, urina amarelo laranjado.

Tem coisas que dependem de você,
Não vá em vão buscar o sofrer
Por coisas mínimas que pode se orientar
Só não cometa o erro de reclamar.

Beba você água ou não
O corpo cobra caro toda omissão
E bem sabe que insisto em lhe dizer

Cuide de si se priorize, mais atenção
Tomara que acorde pra perceber
Que pode ajudar Deus a cuidar de você.

Recíproco

Recíproco
(Mauro A Evaristo)

Passei por um conhecido
Que dizia "com nóis num garra"
Na hora "H" sumiu com os desaparecidos
Se tivesse fiado agora com certeza nada.

Assim é a vida, sofrida, linda,
Mas se tem com quem contar ainda
Se suporte, continue, não pese, agradeça
Esse alguém é de fé com certeza.

O fato de uma pessoa virar as costas
Só revela que a vida tem provas
Que as vezes as pedras e os espinhos

São pequenas amostras
Que sempre haverá no caminho
Alguém que não é recíproco ao carinho.

Limite

Limite
(Mauro A Evaristo)

Se você se compromete com cinco
A criar recursos de vinte
Sacrificando de domingo a domingo
Acredite, isso é um acinte.

Se você dedica corpo, alma, coração
Sem importar em quê situação
Você está ferindo princípios
Jogando a si e outros ao sacrifício.

Trabalhe ou aja com o que tem
Que o necessário a tempo vem
Sem que precise sacrificar

A si e nem a ninguém,
Tudo tem limite é bom respeitar
Não convém ultrapassar.

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Ideia boa

Ideia boa
(Mauro A Evaristo)

Não vá chorar em vão
Perdendo ônibus, trem, lotação,
É tempo e urge despertar,
Não adormeça acordado ao celular.

Viver sempre tem algo de bom
Pergunte a Cecília, Florbela, Drummond,
Nunca vi ideia boa vingar
Na mente de quem vive a reclamar.

Não fique maldizer em vão
Seja lá qual for a situação
Melhor vive quem vive em realizar

Empregando corpo, alma, coração
Nunca vi ideia boa vingar
Na mente de quem vive a reclamar.

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