Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Procuro Teus Olhos

Procuro teus olhos pois já não encontro os meus;

Perdi-os vendo tantos horrores.

Horrores do mundo e da alma

E agora já não posso mais ver,

Encontrar a mim mesmo

Em meio ao caos deslumbrante.

 

Procuro os teus. Como um tesouro.

Preciso que me vejas e me digas

Que ainda estou. Bem e íntegro.

Preciso que enxergues dentro de mim

E me exponha

Revelando – se há – o que me resta de bom.

 

Procuro teus olhos ardorosamente.

E fecho os meus para guardar teu olhar.

Árido

Tenho estado tão árido

Que acho só sirvo se for asfaltado:

Devo ser transformado

Em estrada, em avenida

Para servir de caminho.

 

Me façam de via;

Atravessem-me para seu destino;

Construam à minha margem

Orgulhosos edifícios,

Monumentos modernos de uma vida

Simplesmente passageira.

 

Caso haja espaço,

Me façam um canteiro central.

Para que ainda floresça,

Se possível,

Um resquício de poesia.

Temos Chuva

Olha só!

Temos chuva hoje!

Podemos brincar bobamente

Enquanto o Céu nos lava a alma!

 

Podemos passear e dançar e amar

E tremer de frio e prazer

Enquanto o Céu transborda!

 

Temos chuva hoje!

Temos o mais intenso cheiro:

O do chão molhado!

Podemos rir e gargalhar

Enquanto o Céu refaz a vida!

Alegrias ou contratempos

Alegrias ou contratempos
(Mauro A Evaristo)

Não digladio com os sentimentos
Por todos vagarem nas teias do tempo
Independe quem esteja ao lado
Digo e repito "sei que sou abençoado",
Não importam alegrias ou contratempos
Desprendo de maus pensamentos,
Digo e repito "sei que sou abençoado!".

feradapoesia.blogspot.com

Embater

Embater
(Mauro A Evaristo)

Saiba, Caríssimo Hesitante,
Que embater com crenças limitantes
Faz perder a graça dos instantes
Porque é preciso muito acreditar,
Manter silêncio, não reclamar
Para assim então perceber
O poder infinito do próprio Ser.

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