Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Rio de mim

Rio de mim
(Mauro A Evaristo)

Sempre que posso eu rio de mim,
Rio de janeiro, fevereiro e março,
Gargalho nos desertos a jardins,
Alô, alô, Realengo! Aquele abraço!

Ser gentil é um gesto belo,
Belo Horizonte é muito mais,
More em cortiço ou castelo
Importa é por dentro estar em paz.

Eu rio de mim sempre que posso,
Rio de janeiro, fevereiro e março,
Alô, torcida do América, aquele abraço,

Eu vivo em paz, comigo, com o que gosto,
Meses passam no meu rosto,
Alô, alô, BH, eu te amo sem embaraços!

A máquina da ilusão

A máquina da ilusão
(Mauro A Evaristo)

A máquina de ilusão
Continua causando divisão
Uns brigam pelo menos pior
Outros sequer sabem o que é melhor!

Assim segue toda uma nação
Onde o mais ilustre cidadão
Se destaca sem ter o livro na mão
Exemplo mor de geração a geração.

E eu aqui dentro do ônibus
Indo tendo que ir bater o ponto
Talvez o meu placebo pra não me iludir

Enquanto vejo da alegria ao desencontro
Os que crêem sem verem o que vai surgir
Jogo contínuo cada um tem seu peso em si.

Mães Coragem

A máquina da ilusão
(Mauro A Evaristo)

A máquina de ilusão
Continua causando divisão
Uns brigam pelo menos pior
Outros sequer sabem o que é melhor!

Assim segue toda uma nação
Onde o mais ilustre cidadão
Se destaca sem ter o livro na mão
Exemplo mor de geração a geração.

E eu aqui dentro do ônibus
Indo tendo que ir bater o ponto
Talvez o meu placebo pra não me iludir

Enquanto vejo da alegria ao desencontro
Os que crêem sem verem o que vai surgir
Jogo contínuo cada um tem seu peso em si.

Mães Coragem

Mães Coragem
(Mauro A Evaristo)

Este soneto é para celebrar
A persistência da Mãe Coragem
A mãe que o sistema tenta calar,
Mas não afeta sua imagem!

Este soneto é para todas as mães Coragem
Que os filhos mortos não puderam falar
Que o Amor de Mãe é a maior mensagem
Que chega em qualquer lugar.

Este soneto também é um lamento
Aos homens que disputam o poder
E não fazem nada pelos que estão a morrer

Preterido

Preterido
(Mauro A Evaristo)

O flautista de Hamelin,
Os cantos das sereias
Não têm seus efeitos sobre mim
Não mais me meço por réguas alheias.

Nesta sociedade de valores invertidos
Onde quem trabalha é preterido
Em detrimento a notórios bandidos
E há quem aplauda, ache bonito.

Hoje olho para o lado e me assusto
Com a precariedade dos discursos
E tento em vão a muitos dizer

Que a humanidade está a um pulo
De não mais acordar para perceber
Que existe poder infinito em todo ser.

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