Filhos da guerra

Crianças órfãs do futuro

Sem berço, sem amor

Feridas, maltratadas,

Confinadas, raptadas,

Violentadas …

Recrutadas para lutar

Maldita guerra!

Atroz calamidade

Crianças privadas de alimentos

De água, de abrigo

Vítimas vulneráveis

Sem aconchego sem lar

E vem o Desespero de mãe

Que coloca seu filho

Em navios amontoados

De gente aterrorizada

Na esperança de um mundo melhor

E no mar…

Sua superfície ondulante pode salvar

 Mas nas suas profundezas ocultas

Estrelas no coração

Uma estrela cadente

Caiu do teu coração

Pousou nos meus olhos

Em forma de oração

Só quem ama

Tem a capacidade

De entender as estrelas

Elas vivem secretamente

Em almas enamoradas

Pousam ternamente em teu olhar

São estrelas encantadas

Os versos que se leem nas entrelinhas

Fazem ninho e aconchego

Procuram abrigo num mundo inventado

Fantasioso fecundo e trôpego

E a poesia é orvalhada de ternura

A lua é testemunha

Deste amor que ainda perdura!

 

Esperança

Ingrediente indispensável à vida

Um sonho feito de despertares

Um empréstimo que se pede à felicidade

É o sonho do homem acordado

Um alimento da alma

É o desespero superado

Esperança

É a dor em poesia

É a promessa eternamente suspensa

Diante dos olhos que choram

E do coração que padece maresia

Esperança...

Um sonho feito de despertares

Calmante que a natureza concede ao ser humano

Angústia dos instantes de dúvida

Certeza nos momentos de fé

Esperança

Dezembro

O vento espalha as folhas pelo chão

O sol desmaia com frieza

Chegou dezembro

Um manto branco

Cobre a terra, os campos, os vales

As ruas enchem-se de luz

Cor, vida e alegria

Terna mutação da natureza

Onde o amor e a amizade

 se encontram em poesia

O rosto dos transeuntes

Que se deslocam pelas ruas iluminadas

Recebe o beijo frio da estação

Soam cânticos na cúpula

É tempo de lembrar aquele menino

Que sorria nas palhinhas

Iluminado pelo olhar doce de Maria

Compasso do amor

O doce mel

Rodopia por entre os versos

Ao ritmo de uma paixão

Momento delicado de duas almas

Em subtil dedicação.

A poesia faz-se presente

E alinha sentimentos

Em total veneração.

Neste compasso do amor

Há jardins perfumados

Onde chilreiam os pássaros

Em corações apaixonados.

Compasso do amor

Que embriaga corações sensíveis

De carinho galanteador

Incendeia o Brilho do olhar

E a um ritmo cardíaco descompassado

Faz a respiração parar

Chegaste aos 30

Escrevi uns versos para ti, sorrindo

Às tuas 30 alvoradas de março

Mulher madura, mulher menina

Aqui tens o meu abraço!

Mesmo sendo mulher madura

Teu lado de menina não o deixes morrer

Lembra-te que é a força interna

Que nos faz rejuvenescer

Cada fase tem seus encantos, sua magia

E chegar aos 30, é poesia!

Que possas conquistar e desfrutar o mundo

Com o aroma suave das flores

Passar da reta à curva do amor

Pintar o arco iris com todas as cores

Espelhos de cristal, te tornaram deslumbrante

Campo de papoilas

Enquanto meu pensamento vagueia

Percorro os campos descalça

Por entre o vermelho vivo das papoilas

A brisa toca-me e faz-me balançar

Por entre a cor e as flores

Ahh como me sinto poema!

As papoilas vermelhas

Com suas pétalas sedosas e finas

Entrelaçam meu cabelo e dançam

Ao vento nos teus olhos.

Sinto-me feliz como uma criança

Que chora de alegria num jardim

De Flores rubras de amor

Desfolhadas em poesia.

 

Compassos do vento!

 

Supremo encanto no trigal...

Beija-flor

Da janela do meu quarto

Avisto um Beija-flor

A trocar carinhos com a mais linda flor

Tanta ternura e suavidade

Que bela expressão de amor

Farfalha as suas asas

Dança sob a página de vida

Alimentando-se da singela flor

Apaixona-se pelo seu néctar

Enfrenta tudo, não teme a dor

Beija-flor com suas asas

Dança ao som duma suave melodia

Com a sua amada flor

Meu Deus, quanta beleza

Deste voraz conquistador

Ao proteger a flor amada

Com tanta delicadeza

Tanta ternura e amor.

Basta acreditar!

Ele vive e reina dentro de ti

Ele te livra de todo o mal

Ele te conforta e te dá colo

Ele chega de mansinho

Acalma o teu coração

Basta acreditares!

Quando sofres, Ele te revigora

Afável com seu manto

Ele te acarinha e te mima

Ele guarda nas suas mãos

Cada instante da tua vida

Basta acreditares!

O que alimenta a fé

Sustenta a esperança

Renova o amor

A esperança é como um pássaro

Que pousa na alma

Basta acreditares!

Tece nos fios do teu coração este conselho

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