Surrealista

Lê ou morres

Acordei com desenhos de sangue no meu corpo,

Arranhões profundos, pele gélida, homem morto.

Corre para sobreviver, e vê como corres,

Cego que não quer ver, lê ou morres.

 

Angústia acumulada , sofrimento investido.

A música não me diz nada, vende-se ao ouvido.

Noite escura, calçada partida , onde quer que tu mores,

Serás sempre sem abrigo, portanto lê ou morres.

 

Tanto que queria tudo, que o tudo me deixou sem nada,

Amo-te tão profundo , mundo mudo sem palavra.

ENTENDA A SENDA

 

 

 

entenda a senda

quando tudo se tornar efêmero

despertando a venda

de todos sacrifícios

em sólidos degelos 

 

(e se houver intento de desatar

todos os laços e meadas

que se anelem aos berços

complacentes

as imagens lívidas de gesso)

 

entenda a senda

se forem apenas fagulhas

de fogo estiado

se escoando nas águas e ventos

sem margens ou rumo

 

(e se o sereno converter-se

em dunas

-de íngremes fronteiras

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