O mundo é dos ricos e dos bonitos

O mundo é dos ricos, e dos bonitos.

É daqueles que olham o sol, e se esquecem da própria sombra que pisam.

Dança, dança enquanto és jovem, e tens pernas que dançam.

Pois não há nada nesta vida mais grandioso que dançar entre as labaredas.

 

Agarra quem te abraça sem mais largar,

Acompanha o ritmo dos pés que espelham os teus.

Fecha os olhos, encosta-te a mim,  e dança.

 

 

 

 

Albedo

 

 

 

 

"Um, dois, três, vou nascer outra vez"
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Oitentaenove.01. 2012. CD

Obscurantistamente e convoluta (1),
Ania (2) apud aures nostras. Todavia
Sobreexiste-lhe um Longma - analogia
D' Alpha Phoenicis. A radice, imuta

ENTENDA A SENDA

 

 

 

entenda a senda

quando tudo se tornar efêmero

despertando a venda

de todos sacrifícios

em sólidos degelos 

 

(e se houver intento de desatar

todos os laços e meadas

que se anelem aos berços

complacentes

as imagens lívidas de gesso)

 

entenda a senda

se forem apenas fagulhas

de fogo estiado

se escoando nas águas e ventos

sem margens ou rumo

 

(e se o sereno converter-se

em dunas

-de íngremes fronteiras

SERPENTES RÚSTICAS

 

 

 

na pele da grama áspera

transpassam

as serpentes rústicas

 

estiradas como poeira

no chão devasso

grassando no ermo das várzeas

 

(falácias inviáveis

no porvir do mundo)

 

mais digno seria

semear ciprestes

nas cúpulas góticas do caos

 

para preservar intactos

os genes da criação

 

 

A dívida secreta

O café frio aumentou meu desgosto
a dívida secreta que traz a genética do absurdo
olhos claros e silenciosos
como a neve incomunicável que ninguém quer encontrar

o sangue pode animar
mas esse doce prazer poderia ser contabilizado
no melhor instante e eterno

a água causa tudo: vida e morte
inclusive mais água para chorar
a dívida secreta da tristeza
o terrível preço, ninguém
que é constituído da água
deve pagar

a dívida insensata da incerteza
como tudo isso vai acabar

Olhar amblíope

Com seu olhar amblíope o tempo distrai-se no hemisfério
Das escuridões, mais circunflexas, quase , quase desconexas
Adorna a íris da noite esquecida entre os cílios da solidão convexa
 
No centro das dioptrias simétricas, elípticas e tão excêntricas esvai-se
O Tempo pífio ignobilmente travestido com mil lacaios segundos estultos
Nos céus escuto um irrisório lamento súcio escorrer pela face dos silêncios ocultos
 
FC

QUE SAUDADE!

QUE SAUDADE!

Das portas e janelas abertas, porque ladrões quase não existiam.

E lá nas cadeias locais, os policiais dormiam, pois o sossego causava sono.

O sol era contemplado logo ao nascer. 

A lua era esperada como uma rainha.

As Quatro Estações do ano eram contadas nos dedos pela sua  sua chegada por quem não tinha uma "Folhinha Sagrado Coração de Jesus". Que saudade!

E naquela época, não existia mosquito da dengue, e, eu brincava com as larvas na bica, na cacimba, na fonte, ou, na poça de água da estrada. Que saudade!

Ancestrais

Minha vida hoje é uma Premiere
entristecida
gotejo de paixão mal diluída
não percorre minhas veias o amor
Ó vida , eu sei
pelos outros, que é tão querida !
meu inverno não tem um nobre calor
E de longe as estrelas iluminam
o meu antegosto do amor
Um amor infanto, pausado no coração

Minha vida
flashes descontinuados
desliguei a máquina da ilusão
maiores possibilidades para sorrir

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