Tema preferido

Vamos idolatrar o tema preferido da fé
antes que a marcha fúnebre se manifeste
vamos idolatrar quem realmente deixou um legado
antes que venham em definitivo
banalizar aos santos
vamos anunciar por meio de orações
para que se perpetue o amor
vamos consentir em coexistir apenas com o bem
nada trivial este portifólio do mal
que anuncia na vida, o desdém intolerante
e que realmente saiam das línguas doces
o amém
- você me odeia , mas eu te amo apenas
guerras, não deixem nem lembranças, nem loucuras

O mundo é dos ricos e dos bonitos

O mundo é dos ricos, e dos bonitos.

É daqueles que olham o sol, e se esquecem da própria sombra que pisam.

Dança, dança enquanto és jovem, e tens pernas que dançam.

Pois não há nada nesta vida mais grandioso que dançar entre as labaredas.

 

Agarra quem te abraça sem mais largar,

Acompanha o ritmo dos pés que espelham os teus.

Fecha os olhos, encosta-te a mim,  e dança.

 

 

 

 

Albedo

 

 

 

 

"Um, dois, três, vou nascer outra vez"
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Histórias De Amor E Mar. Farol. 1996. CD
RITUAL TEJO. "Nascer Outra Vez". Oitentaenove.01. 2012. CD

Obscurantistamente e convoluta (1),
Ania (2) apud aures nostras. Todavia
Sobreexiste-lhe um Longma - analogia
D' Alpha Phoenicis. A radice, imuta

ENTENDA A SENDA

 

 

 

entenda a senda

quando tudo se tornar efêmero

despertando a venda

de todos sacrifícios

em sólidos degelos 

 

(e se houver intento de desatar

todos os laços e meadas

que se anelem aos berços

complacentes

as imagens lívidas de gesso)

 

entenda a senda

se forem apenas fagulhas

de fogo estiado

se escoando nas águas e ventos

sem margens ou rumo

 

(e se o sereno converter-se

em dunas

-de íngremes fronteiras

A dívida secreta

O café frio aumentou meu desgosto
a dívida secreta que traz a genética do absurdo
olhos claros e silenciosos
como a neve incomunicável que ninguém quer encontrar

o sangue pode animar
mas esse doce prazer poderia ser contabilizado
no melhor instante e eterno

a água causa tudo: vida e morte
inclusive mais água para chorar
a dívida secreta da tristeza
o terrível preço, ninguém
que é constituído da água
deve pagar

a dívida insensata da incerteza
como tudo isso vai acabar

Olhar amblíope

Com seu olhar amblíope o tempo distrai-se no hemisfério
Das escuridões, mais circunflexas, quase , quase desconexas
Adorna a íris da noite esquecida entre os cílios da solidão convexa
 
No centro das dioptrias simétricas, elípticas e tão excêntricas esvai-se
O Tempo pífio ignobilmente travestido com mil lacaios segundos estultos
Nos céus escuto um irrisório lamento súcio escorrer pela face dos silêncios ocultos
 
FC

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