Zumbidos

Zumbidos

 

Há zumbidos na floresta, há vozes, há risos, há pássaros em revoada

Há seios desnudos, há alguém que se gosta, há flores, há frutos ao chão

Há homens, há bichos, há pegadas, há vento passeando por entre as pernas

Há um tempo tênue na floresta, há um dia límpido, há sombra das nuvens

Há moradores na floresta, a fauna e a flora moram lá, há criaturas lá

Há espíritos lá, embora tu só vejas o teu, há zumbidos lá

 

Charles Silva

Adormeço sob a sombra das palavras

Adormeço sob a sombra das palavras

 

Fala-me nessas doces palavras

que nascem contigo pelas manhãs

fala-me dos campos , das searas ondulantes

beija-me com a tua aura fresca e ténue

embala-me em histórias férteis , plenas de virtude

 

 

Lírios , girassóis , rosas , violetas

pomares , cerejas , amoras , morangos , framboesas

Primaveras dóceis

odores , cores , cristais de orvalho

...adormeço sob a sombra das palavras...

 

Ebrio no quotidiano

Ébrio no quotidiano

 

 

 

Eu não tenho poesia em mim

Ainda hoje , quando passeava o pensamento

Senti os olhos de um paraplégico , cravados em mim

Eram corroídos , doridos , vagos

Por um triste destino sem piedade !!!

( que pensaria quando me fitou ?! )

 

A esposa empurrava lentamente , a cadeira

Dos medos , dos receios e incertezas

Trazia na alma clínicas incapazes

E ecos de vozes sábias

Tantos Credos

Tantos credos se desenham ……

Amazónicas florestas tenebrosas ensombradas…. Cedem passagem curvando-se resignadas….

Perenes e gigantescas marés de luz incandescente nos vão cegando e ao mesmo tempo desbravam caminhos novos …

Vão sendo avistados ao longe em lentes microscópicas e precisas

Rochedos enormes de abismos às camadas transformam-se em partículas de pó purpura……..

Em medievais cómodas vão poisando silenciadas …

Digitais impressões de impunes crimes branqueados….

Maternidade

Infindáveis constelações de Amor…tão imenso …tão forte coeso e belo…

Como um coração talhado em branco mármore que emanando calor vai flutuando num ventre fecundado em lunar e luminoso liquido amniótico

Fortes coloridos de afeição e estima em forma de moldado e nuclear coração

Tanto bem querer fermentado em entranhas de carácter bravura e coragem

Tingem a florescente energia enraizada em fértil geração de ventre cristalino

Um celestial aroma de mil pétalas de rosa vão sendo colhidas sem serem tocadas, em cândidos jardins por virgens semeadas…..

A REVOLTA DE NINGUÉM

 

Hoje não me apetece ser poeta,

Não me apetece escrever palavras bonitas

Bem casadas, pensadas,

Nem me apetece imaginar coisas belas

Nem colorir a vida de pensamentos loucos

Quero apenas ser eu ou melhor ser tu

Que caminhas por aí errante

Sem querer escravizar a esferográfica

De assassinar o papel ou maltratar

Um compêndio ou uma gramática

Não me apetece ler ouvir, olhar o horizonte

Tenho sede e vou apenas beber a uma fonte,

Não procuro a inspiração

Zanguei-me com a imaginação

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