O Fumante No Final

O fumante no final da sua trajetória 
Quis fumaçar as forças gastas com a vitória. 
Já não tinha. 
Já não tinha brasa.
Já não tinha asas. 
Quis despedaçar os pedaços untados em vão
Que já não tinha. 
Já não pensava.
Já não sentia...
O fumante, no final da impaciência,
Caiu no isolamento de si mesmo...
Os seus isopores com insulinas 
Viraram isopores com cervejas
E algumas seringas finas. 

Fluxo

Veias sanguíneas
Comprimidos de aspirina 
Entre sirenes,
Sirenes e buzinas!
Tudo é fluxo decorrente
Nas vertentes e chacinas...
Fluxo,
Fluxo de dopamina.
Tudo é fluxo que se aproxima
E quanto ao olhar carente da menina
Pra minha paz correta voltar
É quase que uma vacina!...
 
24 . 08 . 2014

A Nossa Ferida Está Infeccionada.

A feridama dos enfermos efêmeros,
Um corre com o fruto pra um lado!...
O outro corre com a vida pro outro... 
Manias? Pois deixe mesmo os teus desejos de lado!
Venha viver na nossa agonia
No berço do nosso pequeno quadrado...
Largue esse patrimônio imanejável!
E venha ralar a dose 
Na nossa sensação sufocável.
Venha! e nem faça cortesia. 
Passe com a cabeça baixa
Que hoje ainda não é dia!...
Nada foi questão de mágica. 

Hoje

Parar o agito da erva

açoitada pelo vento da cidade,

acalmar vagas

arrastadas pelo vento do oceano,

mover pernas

desordenadas pelo desencanto,

esbracejar ramos de floresta

apontados para o horizonte,

morder ossos abandonados por

desinteressantes.

 

Comer  a fome do amor

no fastio das jornadas,

beber a sede que refresca

nos oásis dos tempos

percorridos juntos

em abraços de oceano,

largo, de milhares de léguas,

encantamento de novos mundos,

Sobre a felicidade

Sobre atingir a felicidade plena, aprendi que é o mesmo que atigir o ápice da ignorância, quando pensamos entendemos e percebos que tudo não passa de uma fase que a vida nada mais é que um espaço de tempo que temos pra errar mais do que aprender ela com todas suas surpresas, as pessoas com todas suas mentiras, o mundo com toda a sua maldade, o desperdício, a fome, as doenças...

A insônia e ela

Uma mistura de carência noturna e desejo de estar

A cafeína invade minha mente

A insônia, porém vontade de descansar

Por falar em desejo, eu a desejo

Por falar nela, que tal falar de amor?

Se for pra falar do amor, só existe o nosso

O resto é plágio e por falar em plagio 

Acredita que ouvi nossa canção no rádio?

-E olhe que ele nem estava ligado, será delírio?

Ela caça outro.

Tem sempre de estar tudo bem
Até mesmo quando nos vão à carteira
Até mesmo quando nos apanham de maneira
Que fiquemos à beira dum vai e vem

No prato de jantar não tem lagosta
Ela gosta mas o gosto eleva o gasto
O gajo não pode gastar, embora casto
E vende a alma a qualquer monstra

Ela, por sua vez, mostra que se importa
E pede para importar o presente para lhe dar
Ele bate com a porta e parte por hora
Agora, a gaja gasta o que ele foi deixar

O medo de Amar.

Tentei amar, mas fiquei com medo.
Tentei acreditar, mas fiquei com medo.
Tentei suportar, aguentar e passar
Mas fiquei com medo.

Tentei não duvidar, mas fiquei com medo.
Tentei não questionar, mas fiquei com medo.
Tentei não duvidar, interrogar e questionar
Mas fiquei com medo.

Tentei não me expressar, mas fiquei com medo.
Tentei-me acostumar, mas fiquei com medo.
Tentei não desanimar, mas era demasiado medo.
Fiquei com medo.

Tentei, mas já não tento.
Agora, apenas tenho medo.

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