Dias de Inverno
Autor: António Cardoso on Wednesday, 30 July 2014Num dia de Inverno, a chuva a cair,
Lembra-me a minha vida, não vale a pena mentir.
Quantas vezes a mesma chuva percorre a minha feição,
Num dia de Inverno, a chuva a cair,
Lembra-me a minha vida, não vale a pena mentir.
Quantas vezes a mesma chuva percorre a minha feição,
Esperança
Quando a guerra chegar
numa manhã cinzenta, de odores pardacentos
vou ver os homens marchar
por caminhos lamacentos
sentindo o ódio jorrar, nos olhos
a raiva e a ira, já sangrentos
e ouvir as mães a chorar
os padres a gritar
que Deus não existe
acreditei que o mundo ia acabar
mas que dia este tão triste!!
A quem posso eu rezar
se já nem Deus existe!!
Onde vou eu reencarnar
... o ódio paira no ar
Olho em meu redor,
Não consigo ver.
Penso no pior,
Mas nada vai acontecer.
Coração
Cinco sentidos no pensamento de um morto
Não sei de que morri
Sei que foi na Primavera
Sempre quis morrer na Primavera
Foi esse o meu último desejo
...talvez, por sonhar
em receber , flores ceifadas pela manhã
...de mórbida beleza , de vida fingida!!
E o abandono de uma coroa , murchando de saudade
Aqui me eis !!
Campa esquecida , de flor morta !!
Meus olhos murmuram
E os ciprestes ténuemente farfalham ,
Na quietude de minha Aldeia
Na quietude de minha aldeia
Vou esperar pelo raiar do dia
Antes do amanhecer...vou acordar
Os pássaros me encantarão com suas melodias
Aldeia granito adormecida
Esperarei ver o voo do Açor
Gracioso e imponente
O pastor acordou ....e o rebanho espera ansioso
Sair pelos campos pela frescura da manhã
Em busca da fonte... vai uma senhora de luto ...
De cântaro á cabeça
Água fresca que saciará minha sede
COMA VIRTUAL 2
Não cabe no papel
Não cabe na tela
Derrama o sangue, transborda a letra
Desenforma, desinforma
Transborda o (nem te) conteúdo
Direto da veia, direto na veia
Veia literária, artéria poética
Notas musicais
Notas, musical?
Flashes, flashes cerebrais
Cegam o pensamento
Apagam a memória (RAM ou de rã?)
Enlouquecem a razão
Enlouquecem a razão (ainda bem!)
Control C, Control V
Geração Control C – Control V
Mas na vida
Sem pressentir ...vieste silenciosa
Sussurraste para sentir a brisa quente
Que senti no rosto ... enrugado e dorido
Brisa quente que senti nos lábios e saboreei
Melodias ecoavam suavemente entre as folhas do plátano
Plátano centenário onde baloicei, e adormeci á sombra
Sombra onde esperei ...por ti ...até um dia chegares
Silenciosa ... e apaixonante
Trazias no âmago ...mágoas que partilhaste
Mulher de ninguém ... viuva de um amor incondicional
Não sei se dizias o que eu queria ouvir
Plantando Sonhos
Eu plantava sonhos, mas ervas daninhas surgiram no meu plantio
Tangerineiras e jatobás me serviam sombras frescas
Era tempo de plantar sonhos em todo o meu pomar
Como é da natureza da planta crescer e virar árvore
Sonhos crescidos não se sustentam sem raízes fortes
Enquanto plantava sonhos, escrevia versos loucos
Cada verso louco servia um sonho audacioso
Louco era ver brotar sonhos loucos no meu teclado