Nunca Vais Partir, Nunca Vais Voltar
Autor: António Cardoso on Monday, 14 July 2014Nunca nada chegaste a dizer,
Mas significavas tudo para mim.
Ficava parado só para te ver,
Nunca nada chegaste a dizer,
Mas significavas tudo para mim.
Ficava parado só para te ver,
Cambaleio na fortaleza da fraqueza,
Decreto morte na vida,
Recordo-me da Primavera perdida.
Sou a Primavera que tudo menos flor espera.
Sou Verão que tudo menos calor aguarda.
Talvez seja meio Outono despindo a minha alma,
Talvez seja meio Inverno tirando a nódoa deste Inferno.
Centenas de anjos perdidos nunca me poderão amparar,
Nem mil estações unidas.
Pois o abismo é a minha sina.
Perdi a voz e o perdão,
A dor mestre esmaga este coração,
Que um dia ficou perdido naquela constelação.
Que assim seja, minha criança distraída
Numa ínvia quadra, onde o mistério é soberano,
E, que não reine em teu cantar vigor profano
A iludir, como dos mares esta acre vida.
Bela sereia cuja nota suspirosa
Guarda segredos que nos põe tão sonhadores,
Pobres mortais escravizados p`los amores,
Eis que um dia não serás mais desdenhosa.
Quem sabe quando? Nada pode-se colher
Nas paragens desta ideia de áurea ventura,
Quando eu espreitar-te risonha na natura,
Dentro em teus olhos resplendendo o amanhecer.
Pintura natural
Desceu das serranias intenso odor.
Trouxe-o a suave brisa da tardinha.
Veio do rosmaninho que está em flor,
Aroma mais exaltado p'la noitinha !
Mas ali, num quintal de verde intenso,
Sobressai amarelo do jasmim !
Cresceu frondoso, vigoroso, imenso
Faz sombra ao roseiral do meu jardim !
E lá longe, vê-se um extenso prado
Animado de lilases desmaiados;
Cheio de manjerona-brava e cardo,
Lançam ténuas fragâncias! Disfarçadas !
Espelho de água
Sob luar glamoroso que surgia,
Despiu a timidez que a tolhia.
Qual crisálida que do sono emergia
E se lança em seu voo , de magia!
A lua, que lá do alto sorria
Ao contemplar tão puro amor , qu' ardia,
Fez um espelho na água, em acalmia ,
Retratou o terno amor que floria !
E muitas madrugadas se fundiram...
Luares cristalinos refulgiram!
Vidas coloridas perderam cor.
Sob um luar agora recolhido
E o amor tantas vezes escondido,
Despiu-se...
Sob um luar sereno, glamoroso,
Despiu a timidez que a tolhia,
Qual cris'lia que do sono emergia
E se lança em voo...esplendoroso !
A lua, que lá do alto sorria
Ao contemplar amor tão infinito,
Fez da água um espelho tão perfeito
E retratou esse amor que floria !
E muitas madrugadas se fundiram !...
E luas cristalinas refulgiram !...
Vidas coloridas perderam a cor !
Sob um luar agora recolhido
E o amor às vezes tão escondido,