Abismo

Cambaleio na fortaleza da fraqueza,

Decreto morte na vida,

Recordo-me da Primavera perdida.

 

Sou a Primavera que tudo menos flor espera.

Sou Verão que tudo menos calor aguarda.

Talvez seja meio Outono despindo a minha alma,

Talvez seja meio Inverno tirando a nódoa deste Inferno.

Centenas de anjos perdidos nunca me poderão amparar,

Nem mil estações unidas.

Pois o abismo é a minha sina.

 

Perdi a voz e o perdão,

A dor mestre esmaga este coração,

Que um dia ficou perdido naquela constelação.

TEU AMANHECER

Que assim seja, minha criança distraída
Numa ínvia quadra, onde o mistério é soberano,
E, que não reine em teu cantar vigor profano
A iludir, como dos mares esta acre vida.

Bela sereia cuja nota suspirosa
Guarda segredos que nos põe tão sonhadores,
Pobres mortais escravizados p`los amores,
Eis que um dia não serás mais desdenhosa.

Quem sabe quando? Nada pode-se colher
Nas paragens desta ideia de áurea ventura,
Quando eu espreitar-te risonha na natura,
Dentro em teus olhos resplendendo o amanhecer.

Pintura natural

          Pintura natural

Desceu das serranias intenso odor.

Trouxe-o a suave brisa da tardinha.

Veio do rosmaninho que está em flor,

Aroma mais exaltado p'la noitinha !

 

Mas ali, num quintal de verde intenso,

Sobressai amarelo do jasmim !

Cresceu frondoso, vigoroso, imenso

Faz sombra ao roseiral do meu jardim !

 

E lá longe, vê-se um extenso prado

Animado de lilases desmaiados;

Cheio de manjerona-brava e cardo,

Lançam ténuas fragâncias! Disfarçadas !

 

Espelho de água

       Espelho de água

 

Sob luar glamoroso que surgia,

Despiu a timidez que a tolhia.

Qual crisálida que do sono emergia

E se lança em seu voo , de magia!

 

 

A lua, que lá do alto sorria

Ao contemplar tão puro amor , qu' ardia,

Fez um espelho na  água, em acalmia ,

 Retratou o terno amor que floria !

 

E muitas madrugadas se fundiram...

Luares cristalinos refulgiram!

Vidas coloridas perderam cor.

 

Sob um luar agora recolhido

E o amor tantas vezes escondido,

Despiu-se...

       Despiu-se...

Sob um luar sereno, glamoroso,

Despiu a timidez que a tolhia,

Qual cris'lia que do sono emergia

E se lança em voo...esplendoroso !

 

A lua, que lá do alto sorria

Ao contemplar amor tão infinito,

Fez da água um espelho tão perfeito

E retratou esse amor que floria !

 

E muitas madrugadas se fundiram !...

E luas cristalinas refulgiram !...

Vidas coloridas perderam a cor !

 

Sob um luar agora recolhido

E o amor às vezes tão escondido,

há dias assim

. . . e o de hoje foi um deles.
Não sei como me sinto, nem o que sinto.
Talvez um vazio frio.
Olho a rua lá fora, fria, vazia, desprovida de sentido . . . e olho o nada.
Por vezes gostava de voltar atrás, bem atrás, muito atrás, ao início.
Hoje somente sei que sinto, mas não o sei definir, só o sei sentir.
E quero permanecer aqui, assim, só.

sem nome

Por entre a brisa, de uma manhã húmida, vozes de desespero ecoam nos céus da esperança, ao raiar um novo dia. Cisnes brancos banham-se nas lágrimas vertidas pelo homem, em prol da sua felicidade. O vento sopra, por entre gotas de água, e as sublimes árvores deixam andar ao sabor do vento suas copas.
 

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