Nunca te tive.

O que farei eu com a saudade que trago?

- Envio-te.

Peguei na saudade e coloquei-a numa caixa tão funda como profunda é a minha dor. 

Lá dentro larguei as memórias, as lembranças.

Que malditas lembranças!

Embrulhei em lágrimas tudo o que podia. 

Mas eu nada podia.

Nunca pude. 

Porque eu nunca te tive. 

E a saudade?

Ela ficou. 

Desfez-se com o tempo o embrulho perfeito que nunca chegou a ser nada. 

Apenas memórias, 

Lembranças esquecidas por ti.

Saudade que trago dentro de mim.

Setembros de Coimbra

Oh, setembro,
como te escapas
e eu ainda me lembro
do encanto de todas as capas.

Oh, tempo,
como passaste a correr.
Eu olho para dentro
e dou por mim a crescer.

Cresço, mas não em tamanho.
Deixo que as experiências me lavem o corpo
e, depois desse banho,
sou outro.

Crescido,
ainda que com alma de criança;
Falecido, amolecido, esquecido!
Uma triste lembrança...

tu

Estou na margem... Para lá do abismo.
Longe de mim ficaram os momentos que vivi à beira-mar. Mais longe, como uma visão, o teu rosto vindo do céu, esses lábios que não são do ser que nunca fostes e que eu beijei ao esquecer-me de beijar. Tua mão desdobra meus dedos, dobrados pelo tempo. Se o que sou não sinto, o que sinto e sou não importa.

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