Setembros de Coimbra

Oh, setembro,
como te escapas
e eu ainda me lembro
do encanto de todas as capas.

Oh, tempo,
como passaste a correr.
Eu olho para dentro
e dou por mim a crescer.

Cresço, mas não em tamanho.
Deixo que as experiências me lavem o corpo
e, depois desse banho,
sou outro.

Crescido,
ainda que com alma de criança;
Falecido, amolecido, esquecido!
Uma triste lembrança...

tu

Estou na margem... Para lá do abismo.
Longe de mim ficaram os momentos que vivi à beira-mar. Mais longe, como uma visão, o teu rosto vindo do céu, esses lábios que não são do ser que nunca fostes e que eu beijei ao esquecer-me de beijar. Tua mão desdobra meus dedos, dobrados pelo tempo. Se o que sou não sinto, o que sinto e sou não importa.

Vinho de sangue

Dai-nos o tecido veludo nos olhos
Um momento a mais para por salivas
Com gosto vulgar na borda do cálice,
É como comparar uma prostituta a uma bebida má
Quando o vermelho escapa.

Ter no fundo do quarto escuro o mergulho dum livro
Que não diz fim nem começo.
A cópula sagrada
O redemoinho e o vento
Passagens estreitas a mundos distintos
Ver o gozo o gesto metido na atitude do ser mais velho.
Quando fazemos o que não está no escripte
É porque uma sombra do futuro
Invadiu a vida da alma pesada

SONETOS A MINHA MÃE

Sonetos a Minha Mãe

 

Regaço de minha Mãe, doce conforto,

tamanha brandura e abismo de perdão

voz de minha Mãe... sempre meu porto,

sempre o cântico que me embala o coração!

 

Paciência ó minha Mãe... eu saí torto!

Mas sensível ao mundo por tua mão,

coragem minha Mãe... sou trágico e amorfo,

mas rompe-me pelo peito o teu estandarte de paixão.

 

E se um dia minha Mãe... vier a dor

perdoa se não articulei o meu amor,

por não ser lesto... ser oco... ou nada!

 

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