Sociedade Vazia
Autor: António Cardoso on Monday, 9 June 2014Induzem-me numa falsa realidade,
Pergunto-me onde estou.
Onde é a janela para a verdade?
Induzem-me numa falsa realidade,
Pergunto-me onde estou.
Onde é a janela para a verdade?
SONHOS DE POETA – II
Poema de sofrimento, um grito alado de dor
que ecoa no vazio, entre as margens do lamento.
Na conjuração das asas, para transpor abismos,
segura nas garras o símbolo do sentimento.
Fragrância latente no estigma da alma em flor,
verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro da desilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazem caídas,
varridas, para esse abismo profundo de solidão.
Toma-me em teus braços
para que eu não mais me perceba
e deixe que eu me perca
que eu me sinta apenas em você
Pegue-me em teus braços
e permita-me sentir
o embalo da alma
Uma chance de me ver em outros braços
sem que seja os meus
Uma chance de que toquem meus cabelos
sem que seja eu
Uma oportunidade de saborear
o gosto exato de amar
No pulso,
O relógio passeia incansável nas horas,
Eis como ondas nos minutos
Em persuasivos tic-tacs de insônia.
O momento varão e bruto espreita fiel
Os moribundos nas sarjetas
Enquanto notas compram almas nas lojas
Enfeitadas de anjos miúdos nas vitrines sensíveis,
Enquanto desejos amam e amam
Confeitos açucaram cérebros frenéticos à compra à cata... contra peito.
Viajantes de passagem com pouco tempo para bolinar com estadia,
O sexo com mulheres à venda,
Prostitutas de vinténs.
O QUE DIZEM OS OLHOS?...
Os olhos são espelho da alma.
Mostram o que está oculto,
Revelam o que ela sente !
Sem viço,
É o olhar de quem está triste.
Sem brilho,
É o olhar de quem está só .
Há-de parecer esse espelho,
O que os outros nos meus vêem !
Mas não !...
Não está de todo perdido
O brilho do meu olhar !
P' ra meu alento,
Vejo ainda alguma réstea
Que persiste ...que resiste
E teima em não se apagar !
COMO FOI CARA A LIBERDADE !
Nasceu a aurora , como de costume.
A lua, essa fugiu apavorada
Pressentindo agonia...o queixume
E areia de sangue moço... regada.
Saltavam de barcaças, rumo à dor
Belos jovens...sãos... Na flor da idade !
Abrasava-lhes o peito com ardor
E o medo estalava, sem piedade !
Ideais de liberdade inflamavam !
O medo, s' alternava com coragem !
Seus valorosos corpos avançavam.