Quero colorir o mundo.
Autor: Inês Duarte on Tuesday, 8 July 2014Hoje acordei, sem saber o que fazer.
Peguei numa caneta, comecei a escrever.
Senti que a minha vida estava fora de mim.
Hoje acordei, sem saber o que fazer.
Peguei numa caneta, comecei a escrever.
Senti que a minha vida estava fora de mim.
O que farei eu com a saudade que trago?
- Envio-te.
Peguei na saudade e coloquei-a numa caixa tão funda como profunda é a minha dor.
Lá dentro larguei as memórias, as lembranças.
Que malditas lembranças!
Embrulhei em lágrimas tudo o que podia.
Mas eu nada podia.
Nunca pude.
Porque eu nunca te tive.
E a saudade?
Ela ficou.
Desfez-se com o tempo o embrulho perfeito que nunca chegou a ser nada.
Apenas memórias,
Lembranças esquecidas por ti.
Saudade que trago dentro de mim.
Oh, setembro,
como te escapas
e eu ainda me lembro
do encanto de todas as capas.
Oh, tempo,
como passaste a correr.
Eu olho para dentro
e dou por mim a crescer.
Cresço, mas não em tamanho.
Deixo que as experiências me lavem o corpo
e, depois desse banho,
sou outro.
Crescido,
ainda que com alma de criança;
Falecido, amolecido, esquecido!
Uma triste lembrança...
Dai-nos o tecido veludo nos olhos
Um momento a mais para por salivas
Com gosto vulgar na borda do cálice,
É como comparar uma prostituta a uma bebida má
Quando o vermelho escapa.
Ter no fundo do quarto escuro o mergulho dum livro
Que não diz fim nem começo.
A cópula sagrada
O redemoinho e o vento
Passagens estreitas a mundos distintos
Ver o gozo o gesto metido na atitude do ser mais velho.
Quando fazemos o que não está no escripte
É porque uma sombra do futuro
Invadiu a vida da alma pesada
Sonetos a Minha Mãe
Regaço de minha Mãe, doce conforto,
tamanha brandura e abismo de perdão
voz de minha Mãe... sempre meu porto,
sempre o cântico que me embala o coração!
Paciência ó minha Mãe... eu saí torto!
Mas sensível ao mundo por tua mão,
coragem minha Mãe... sou trágico e amorfo,
mas rompe-me pelo peito o teu estandarte de paixão.
E se um dia minha Mãe... vier a dor
perdoa se não articulei o meu amor,
por não ser lesto... ser oco... ou nada!