Tumulto

Vejo pontes, portos, paredes, estradas;

Um ponto. – Quero chegar lá.

Uma vírgula. – Estou aqui.

Cansei! Vou subir, elevar…

 

Vejo cordas, escadas, roldanas

Para içar, lançar

Sou flecha

Teso o arco, disparo

Uma bala…

Docinha!

 

Vejo moça, menina, mulher.

Sou homem!

Sou da vida,

Sou da lida,

Labuta, batalha, tarefa.

 

Desperto. Esperto, malandro…

Trafico amor,

Lavo o dinheiro com a lágrima da dor.

Bandido! Ladrão!

Pega! Pega!

Dois Pontos

Dois pontos.

É o que basta para o equilíbrio:

Entre o apoio e o lançamento,

Entre a voz e o pensamento;

Entre a mente e a mão,

Entre a loucura e a solução;

 

Dois pontos.

É o que basta para a harmonia:

Da imagem na tela,

Da música na orquestra;

Da água na nascente,

Do Sol no poente;

 

Dois pontos.

É o que basta na divisão:

Nos ponteiros do relógio,

No movimento e no ócio;

Entre o que eu posso e o que eu quero,

Entre o que eu faço e o que eu espero;

Esqueço

Esqueço a dor,

Ignoro o terror, o feio, o sujo…

Me recuso a ficar doente,

A ter medo, destruir…

 

Lembro de sorrir;

De me alegrar com os pássaros,

De extasiar com as flores,

De comer, de beber, de sonhar!

 

Não lembro de ter pena!

Não entendo quem não luta

As brigas da vida.

Não acredito em esmolas!

 

Acredito em doação,

Acredito em desafio,

Em estrelas no céu acima das nuvens,

Em suar no calor

E rir, despencando no chão

Viver para esquecer

A primeira coisa que tenho a esquecer,

É está de vida,

De ter vida com você.

 

Outra coisa que também tenho pra esquecer,

Nesta coisa de vida, de você ser minha vida,

E sem você não poder viver.

 

Muita coisas terei a esquecer,

Esquecer que na vida que levo,

Levo a morte da vida que gostaria de ter.

 

A vida que em minha vida nasceu

Hoje não é mais minha vida,

Por isso em mim a vida morreu.

 

Enide Santos 19/05/14

FÓSSEIS DE SONHOS

O eco que ouço da minha dor,

(re) bate nas paredes deste infindo vazio,

E por vezes deixa-me insana.

 

Prostro-me imóvel e ciente de;

Não pode tocar,

Não pode realizar,

E nem ao menos sonhar.

 

São fósseis dos grandes sonhos,

Caminhos do qual,

(in) voluntariamente desviei-me.

 

Posso sentir-me desaparecendo aos poucos

Presa em cada devaneio desfeito

Sequelas adornam minha alma

E tento regurgitar-me de mim.

 

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