Silêncio da Multidão
Autor: S.L.Lima on Monday, 30 September 2013O luar reflete-se no alcatrão da estrada
O luar reflete-se no alcatrão da estrada
No longínquo e brando vale
Que talvez ninguém conheça,
No cimo da rama espessa
Canta à mata o sabiá!
Mas... do riacho na fímbria,
Quando a sombra ali passeia
Da nuvem que se roxeia-
- melhor é o canto de Ilná!
Sentada na tenra alfombra,
C`os pés boiando nas águas
Ó, não afligem-lhe as mágoas
Que traz a vil solidão;
Ilná conversa c`oas flores,
E beija o vento arredio,
E nada nua no rio,
Como a filha do sertão!
Você vê as cores mudando?
Repararia nelas se elas não mudassem?
Sobre mim, céus e céus se decompõem
Em cântaros incandescentes e marítimos.
Mas eu não tenho tido pluma na língua;
Tenho feito dos meus ouvidos
Uma moça violada pela seda rasgada do vestido.
Tão pouco tenho feito caridade aos pedintes.
Sequer tenho colocado meus olhos