ILNÁ

No longínquo e brando vale
Que talvez ninguém conheça,
No cimo da rama espessa
Canta à mata o sabiá!
Mas... do riacho na fímbria,
Quando a sombra ali passeia
Da nuvem que se roxeia-
- melhor é o canto de Ilná!

Sentada na tenra alfombra,
C`os pés boiando nas águas
Ó, não afligem-lhe as mágoas
Que traz a vil solidão;
Ilná conversa c`oas flores,
E beija o vento arredio,
E nada nua no rio,
Como a filha do sertão!

Um Gole de Verdade

Você vê as cores mudando?

Repararia nelas se elas não mudassem?

Sobre mim, céus e céus se decompõem

Em cântaros incandescentes e marítimos.

 

Mas eu não tenho tido pluma na língua;

Tenho feito dos meus ouvidos

Uma moça violada pela seda rasgada do vestido.

Tão pouco tenho feito caridade aos pedintes.

Sequer tenho colocado meus olhos

Mar e brisa

Procurei em cada onda uma maré
Num farol à costa
Um caminho bem traçado
Um homem do outro lado
que ande bem por mim.

Navegador do meu destino
num compasso miudinho
que abra as pontas do relógio
ao meu sofrer

Despeço-me do céu azul
numa noite de arraial
e assim fugir do mundo
que eu amei.

Plenitude

Não peço mais amor, mais loucura, mais um minuto de desasossego.
Não apelo à paz, à humildade, honestidade.
Para quê exigir a competência e seriedade?
Basta de advertência aos bons costumes e ao livre-arbítrio.
Hoje vive-se o dia encerrado na escuridão. Os prepotentes ousam a exibição, eu retrato a esfera de uma era viciada.

Perda

Ouvi e atrevo-me a dizer
Que de todos os males do mundo
O pior foi te perder!

Serei inconsciente
na ousadia das palavras,
no meu "eu" imprudente
Mas, das certezas não restam dúvidas
De nós sobra tudo de uma vida apaixonada.

Pages