A VISÃO DO BAILE
Autor: Bulhão Pato on Friday, 18 January 2013
Será que não é possível devorarem-me sem insistirem para que eu cante louvores ao meu devorador?
Eu chegara de França uns quatro dias antes
E via-me tão só n'um deserto sem fim,
Lá deixara a alegria, amores, estudantes,
Via a vida, aqui, negra adiante de mim.
Que havia de fazer? Eu não tinha um desejo,
Nada no mundo me podia estimular!
Ai quantas vezes, ao passar junto do Tejo,
Perdoa-me, Senhor! pensei em me afogar!
Nas brisas da tardinha
Pára teu vôo um pouco;
Ouve um poeta, um louco,
--Escuta-me andorinha!
Um pouco deixa os ninhos;
Attende as vãs loucuras,
--Tambem nas sepulturas
Vôam os passarinhos!
Nem sempre o azul ethereo
Quaes flexas vão cortando,
--Tambem riem, voando,
No chão do cemiterio!
Lavam os pés rosados
Nas urnas funeraes;
--Tu, mesmo, nos telhados
Moras das cathedraes!
Com todo o gesso
Um covarde é incapaz de exibir amor, o amor é a prerrogativa dos bravos.
Ninguém me pode magoar sem a minha permissão.
Não sei falar direito
Mas sei dizer ...Te amo!
Sou pobre e tão pedinte
Ainda assim, eu não reclamo...
Ando a pé, eu suo, e fico sujo
Mas minha alma é alva como a lã.
Eu trabalho e ganho pouco
Ainda assim, minha mente é sã...
Não sei falar direito
Mas sei dizer...Te amo!
Sou feliz e um pouco feio
Ainda assim, eu não reclamo...
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