Ventania das sombras

Sendo o vento em desvairo, eu caminho em todos os lugares, locais principalmente ocultos. Vejo a sombra dos humanos os perseguindo. Todos têm algo a esconder, todavia, do meu sopro, tudo se esvai. Caminho entre os caminhões armazenando concreto. Quem dera se eles se chocassem; não literalmente, mas entre segredos. Imagine só o quanto os blocos excruciariam na cara. Quanto sangue seria derramado; seria como um mar onde apenas o horizonte é livre, ao toque da vermelha verdade.

LINDINHA

Todas lá de São Bernardo são assim...?!
São italianas, morenas, mulatas...
São desse jeito, o seu e tão encantador?!
Elas também são lindinhas assim?!
Têm seu 'Borogodó Paulistarum'...
Essa 'coisa interiorana' que eu gosto...

JÓIA DE MARFIM

 

 

 

flutuo no vácuo etéreo

-templo profano

delimitando na noite a fantasia

restrita a uma hipótese

 

na trincheira da manhã

revela-se, porém, o  porvir:

concha de ágata

que usurpa de mim a jóia de marfim

 

-suposições irreais

de um devaneio ilógico?

-ou me trapaceiam

nos  propósitos dessa ilusão?

 

 

 

Nos prados celestiais

Nos prados celestiais vadiam azuis infinitos e quase sufocados
Na mezzanine do tempo empoleiram-se sonhos tão extasiados
Consubstanciam o tempo dissertando em tantos segundos camuflados
 
Nos prados celestiais os poentes rugem na calada de um eco deslumbrado
São o mais breve e felino atalho onde se escoram os desejos tão empolgados

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