Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

No canto

No meio do nada

Indefinido

Cercado de detalhes

Esquecido

Ilhado em lembranças

Frio

Congelado no tempo

Só…

 

Esperando o resgate

De sua companhia

Que me levará embora

De volta à vida.

Desgosto

Marco meu tempo em sonhos inacabados,

Em dias que parecem se repetir em desespero

Numa paródia de rotina de desigualdades.

Vivo. Deixando rastros fragmentados

Que alguém talvez reconstitua

Como querendo desvendar um crime.

 

Meu crime é perfeito

Primeiro sequestrei meus projetos

E os mantive em cárcere privado

Pensei até em pedir resgate…

Mas assassinei cada centavo sobrevivendo arduamente

Numa realidade cruel e mesquinha

 

Paguei altos subornos

Para manter-me no conforto fútil

Identidade

Ai de mim!

Só sei de mim

O que dizem por aí

Se nada dizem, como sei?

Então me rasgo e me exponho

Para que me vejam

E me digam quem sou

 

Eu mesmo não sei

Só digo que sei

O que dizem que sei

Às vezes me dizem que não sei

O que deveria saber

Mas é só o que me dizem

Que me tornam eu mesmo

Para mim e para todos

 

Mas acordo e não sei

Se como não sei

Se vivo não sei

Se existo e ajo e reajo;

Se opino não sei

Se quero não sei

Ser, sou…

Bem no natural

Bem no natural
(Mauro A Evaristo)

O mundo caminha dentro do caos,
Desordem física, financeira, moral
Todos em busca do ponto em comum
Sem ver, sentir, perceber respaldo algum.

Os pseudos bons fazendo o mal
Por aceitarem a ruindade como normal,
Civilizados sem entenderem a selvageria
Que toma conta dentro do dia a dia.

Já passamos da hora de acordar,
Abrir o Livro para se encontrar
Sentir a energia transcendental

Pessoas

Pessoas
(Mauro A Evaristo)

Tudo se resume as pessoas
De caráter, más, índoles boas
Que estão por aí nas igrejas,
Bares, casas, ruas com frieza.

Tudo se relaciona as pessoas
De boa fama, má formação
Do juiz ao pedreiro, do gari ao ladrão
E o que fazem sempre ressoa.

Toda boa vontade realizada,
Toda maldade praticada
Sempre a referência vem das pessoas

Que armas em punho, almas armadas
Vêem o bem que na prática não ressoa
Perdido em vão no tempo que voa.

feradapoesia.blogspot.com

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