Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Cá e Lá

Cá estou eu;

Às vezes chego até ali,

Me acerco, às vezes, de acolá…

Mas lá?

Para mim não há lá!

Para mim, que sou de cá.

 

De cá olho para lá

Com olhinhos espichados,

Com olhinhos apertados

Como tentasse ver claramente

O que de lá aparece para mim, enevoado

Envolto numa bruma que torna lá irreal

Que se como se lá fosse uma ilusão,

Um sonho para quem é de cá.

 

Ponte não há

Senão aérea,

Senão etérea, cyberficial

Que conecte cá e lá

Palavras Peraltas

Às vezes, escrever

É brincar de pique com as palavras;

Elas parecem peixinhos escorregando na água

E minhas mãos nuas não as agarram.

Então as deixo nadar

E apenas observo sua dança brincalhona

 

Quantas realidade não dizem?

Quantas ficções não constroem?

Ah, palavrinhas peraltas!

Como vos amo, de todo o coração!

 

Desisto de escrever!

Quando quiserem se deixar pegar,

Estarei por aqui,

Esperando e observando com (des)atenção.

Antítese musicada

Antítese musicada
(Mauro A Evaristo)

Assim como pode entreter
Pode também a música subverter,
O mesmo instrumento que gera paz
Pode gerar inconformismo ou tanto faz.

A música pode criar revolução
Ou uma planejada acomodação
Pode ela tocar o emocional
Até despertar uma fúria social.

A música impulsiona exércitos
Tem poder fazer contemplar universos,
Acalmar quem chora seguir sorrindo,

A música tem usos controversos
Em si ajuda atinar raciocínios.
Que música você está ouvindo?

Pedacinhos

Um dedinho de prosa;

Um ouvido amigo;

Um ombro disponível

Um colo…

 

São pequenos pedaços

Que desapegam de mim

E vagam por aí

Me espalhando por vários lugares

Que perpetuarão minha lembrança

 

Uma mão que aperta, que acena

Minha boca que diz, que beija

Meu olho que vê, que atenta

Um peito que aconchega

 

São punhados de farelo

Que desapegam de mim

E vagam por aí

Me espalhando por vários lugares

Como temperos

Que tornarão a vida saborosa.

Teu Riso

Ri;

Tua graça pura encanta

Te faz bela e doce

Luminosa e fascinante!

 

Ri;

Tua alegria me contenta

Serena e simples

Expansiva e radiante.

 

Ri;

Teu júbilo inocente

Tão profundo e perene

Me inspira suavemente

 

Ri;

Que teu riso gostoso

Me faz sempre ditoso!

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