Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

A afirmação

A afirmação
(Mauro A Evaristo)

A minha vida é muito boa
A afirmação é meu jeito de agradecer
Não detalho nada com as pessoas
Recomendo o mesmo para você.

A minha vida é maravilhosa
A afirmação faz algo bom acontecer
Não detalho nada nas prosas
Recomendo o mesmo para você.

A minha vida está em pleno esplendor
Todo dia recebo algo de valor
E isso enriquece meu viver

Não entro em detalhes seja quem for
Isso abre caminhos pro melhor acontecer
Recomendo o mesmo para você.

Horas Vazias

Vejo agora o tamanho do vazio

O desperdício das horas lamentadas

Por não ter feito nada; nem descansar,

Nem agir, nem pensar…

São somente horas vazias, sem proveito.

 

Me trazem um enorme vazio

De lembranças que deveria ter,

De sentimentos que deveria ter,

De ensinamentos…

 

E agora, vazio.

Vazando horas a fio uma vida inteira

Imerso num imenso nada

Sem saber ao certo como me ocupar.

Enquanto as horas passam até acabar o tempo.

Manias de Grandeza

Tenho manias de grandeza:

Dessas que, de tão grande,

Não caibo só em mim mesmo…

 

Amo para além de mim;

Trabalho mais do que devia

Quero tanto viver que nunca dá tempo

E me angustio!

 

De ler muitos livros,

De ouvir muitas músicas,

De abrir muitos risos,

Tenho sede.

 

De passear muitos campos,

De nadar muitas praias,

De deslumbrar muitas flores

Tenho fome.

 

 

Sonho para além de mim;

Durmo menos do que devia

Cidades Pequenas

Ainda hei de escrever crônicas

De cidades pequenas espalhadas pelo mundo

Onde hei de espalhar meus passos

Acostumados à cidade grande.

 

Ainda hei de engrandecer os detalhes

De cidades pequenas espalhadas pelo mundo

Onde hei de espalhar meus olhos

Acostumados a grandezas de cidades.

 

Ainda hei de guardar os perfumes

De cidades pequenas espalhadas pelo mundo

Onde hei de espalhar meu nariz

Acostumado a (falta de) cheiro de cidade grande.

A vida de Auta Alta Frequência

A vida de Auta Alta Frequência
(Mauro A Evaristo)

A vida de Auta Alta Frequência
Passa pela dedicação e consistência,
Abrir mão das palavras pesadas, chulas
Estando elas no dia a dia, nas músicas.

Dedicar em não perder o meditar, a oração
Com as marcas da reclamação,
Parar de discutir até mentalmente em vão,
Deixe quem não sabe nada ter razão.

A vida de Auta Alta Frequência
Passa principalmente pela consciência
Do bem que se pode em silêncio fazer

Lúcida percepção

Lúcida percepção
(Mauro A Evaristo)

Foi numa manhã chuvosa qualquer
Que sorvia o gosto e cheiro do café
Bateu-me uma lúcida percepção
Se qualquer um pode por que eu não?

Foi numa tarde acalorada
Em que perdia o tempo com nada
Olhei em volta com atenção
Se qualquer um pode por que eu não?

Foi numa noite de estrelas
Que veio-me a tal certeza
Que hoje a chamo de inspiração

Acredite onde quer que esteja
Pois tudo depende de ação
Se qualquer um pode por que eu não?

feradapoesia.blogspot.com

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