Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

O evangelho dos fariseus

O evangelho dos fariseus
(1Evaristo cit.: @aymeemusica)

O reino virou negócio,
O nome de Deus em qualquer troço
E alguns dizem ter respeito,
Mas o que se vê é puro preconceito.

Há o tal do evangelho dos fariseus
No qual se fala pra e entre os seus
Enquanto nos caídos a levantar
Jogam pedras por não os aceitar.

Enquanto isso no Marajó
O povo abandonado e só
Lamenta mais um que desapareceu

Porque os jogadores da fé feito os faraós
Ostentam em Dubai as custas dos seus.
Até quanto isso, Meu Deus?

Presos das palavras

Presos das palavras
(1Evaristo)

Até que ponto somos presos das palavras?
Chamar guerreiros é guerra que não acaba.
Somos todos responsáveis em viver
O que aceitamos de nós dizer.

Todos sabem que palavra tem poder,
Qual palavra se permite lhe prender?
Do que se chama condiz
Com o que (pra si) sempre quis?

Agora deve-se cuidar
Do que se chama e se permite chamar
Pois, o que dizem e aceita sobre você

É a palavra que vai lhe aprisionar
E incondicionalmente irá viver
O que nunca quis pra você.

Chamamento

Chamamento
(1Evaristo)

Já parou para refletir, raciocinar
Que o primeiro de "guerreiro" lhe chamar
Querendo lhe estimular
Acabou por lhe aprisionar?

Sem mágoas ou ressentimentos
Quantas agruras por esse chamamento?
Talvez se lhe dissesse herdeiro
Seu trajeto teria quem sabe outro efeito?

As palavras tem poder
E em quantas teve que viver
Porque alguém assim lhe chamou?

Talvez, talvez possa enfim entender
Por tudo o que já passou
Passe a se chamar de Deus recebedor!

Para ti Sofia

Em cada vulto na multidão

Em cada esquina por dobrar

No deserto da minha mão

Eu anseio por te encontrar

 

Minha querida Sofia

Oh saudades que de ti sinto

A tua companhia

Era algo tão distinto…

 

Mas sei que de mim não queres nada

Sou tolo, sim, por te querer ao meu lado.

E as cartas que ficaram por ler

Talvez noutra vida as ouvirei

 

Até lá, tem uma boa jornada

Se apenas fosse outro o fado...

E todos os versos por escrever

Talvez noutra vida t’os cantarei.

"CORRER ATRÁS DO VENTO"

RUNNING WHERE TO?

by: Fernando Antônio Fonseca

"I run after the wind

I came from I don't know where

slowly is not how one gets far"

-Chico Buarque de Holanda

running...running...
where to?

if there's never anywhere to arrive

if one never gets close

or approaches

-to what?

running defying

the limits of man

carrying the insane sweat

of an impossible destiny

crossing deserts and hills

that stitch our inner landscape

overcoming obstacles and storms

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