Pensamento

Às vezes, com medo de deixar cair o poema

Às vezes, com medo de deixar cair o poema

fora do mapa,

cerro os dentes,

levo-o até casa na boca.  

 

E enquanto ele se escoa lentamente

junto à porta de entrada,

abre ecos pelos degraus

e ganha formas ao fundo,

eu sonho em arrastá-lo

como um gato até

ao resto do mundo.

Quando eu morrer, Cecília,

Quando eu morrer, Cecília,

talvez os galos não cantem mais à minha volta,

talvez não haja brisa, nem mãos delicadas,

que já não é moderno,

só pilares de cimento e frases largadas

de valas, pedras, pó, pás

e larvas na boca.

 

Quando eu morrer, Cecília,

não quero as mãos cruzadas no peito,

um sorriso de seda

e um vestido de roda bordado inglês,

antes uma tigela de marmelada na boca

a desafiar as formigas,

um pregão nos olhos

e as mãos soltas

para coçar os pés.

 

 

O leitor e o poeta

Quer ouvir um poema? Diz o poeta com entusiasmo

"Claro! Porque não?" Diz o leitor

Estamos morrendo aos poucos, tecnologias estão acabando com a humanidade e a criatividade, vivemos e aprendemos pra no fim perdermos tudo aquilo que conquistarmos, a única coisa que salva nos é o amor que a muito tempo foi perdido, aqueles que realmente acreditam no amor não amam nem a si mesmo, como eles poderiam amar outros

Outono de véspera

Retirei, o agridoce, das
Vírgulas das pessoas
Que me transcendem...
Coisas que se misturam com
O nada da gratidão, a humildade
E a verdade de um sentido
De vida!
Gosto de olhar para ti,
Mesmo quando não me sentes,
Fico feliz com o segredo das
Noites, quando contas ao
Vento, de quem amas...
Tenho sede de ti, descansar
Da vigília das tormentas
Em que se bebe igualdade
Numa sincera ternura
Gostar das últimas vezes em
Que o nosso sorriso, comandou
Os sonhos!

SAUDADE

Nenhum sentimento está livre da saudade, 
nenhuma paixão está livre da dor,
 quando coração conhece o amor. 
 
Escrevo com a pena no teu corpo,
fazendo dele o meu caderno de poesia (...)  
 
Do Livro O Beijo Doce e Salgado da Escrita
 

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