Nada Normal

Não me identifico nada nada com o povo normal.
Normal gostar de futebol? Detesto.
Normal criar um cachorrinho morando no 13º andar? Tô fora.
Normal seguir uma religião? Nem pensar.
Normal passar o domingo vendo a Rede Globo? Nem morto, nem doente.
Normal querer o celular último tipo? Pra mim não serve pra nada.
Normal gostar de ir no Shopping? Nem passo na calçada.
Normal é o quê?

Pensamento

A agonia de não ter nada para dizer.

Angustiante loucura privada de génio.

Explode em mim a vontade de gritar.

Mordo-me em sangue por te ser indiferente.

Sofro demasiado neste corpo tão fraco.

Penso tanto, mas faço tão pouco.

Minto a mim mesmo, e a todos.

Constantemente idiota.

Sou eu, mas não queria ser.

Preferia ser melhor, mais do que isto que sou.

Será este o meu talento? O meu destino?

Não será certamente, tantos que são tão talentosos, tão originais.

Será deles o futuro. 

Vejo, ao fundo

Vejo, ao fundo,
sorrisos meus
acenando à minha irresponsabilidade ébria,
como quem diz adeus...
A folha da confiança, que é fria,
quando amarrota
apaga o dia
e não volta
a ser lisa.

O vento passa
levando e trazendo
o que não tenho,
alisando a minha memória das fissuras
e mantendo viva a esperança
que tenho de viver em linha recta.
Mas não apaga o desenho do Adeus,
não aquece a folha da confiança amarrotada
não faz meus os desejos teus,
nem retroceder na perene estrada.

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