Prelúdio

Prelúdio
 
Dizem-me eles que estou parado no tempo
errado e mais que desamparado
que tenho somente que esperar um pouco mais 
para que o homem certo 
se renove e ouse chegar
todo por inteiro ao topo do mundo 
aquele que é valente 
o bastante para conquistar todo o isotopo
que eclode no prelúdio da poesia desdita
e perdida no núcleo de uma vida
que nunca se molesta
pois é nobre e nunca se contesta

Ventos e marés

Nos ventos e marés
 
Saio por aí navegando por esses rios
meu Tejo,teu Sena,o mesmo Tamisa
tanto faz, tanto mar
salgado ou doce eu quero,
velejemos até onde o fascínio 
dócil de um oceano imenso
perpectue nossas aventuras marinhas 
em Bolama,Haiti ou na Cidade Velha
e em todos os portos por aí apinhados 
e ardentes de vida
Amesterdan,Antuérpia ou Lisboa,
revigorados de beleza

Horrores de Felicidade

Em modo monstruoso se despedaçam sentires de doce sabor de framboesa envenenado……

 

Horrores de felicidade esfaqueada sangra em rios de marés esvaídas em dores de alma cujo corpo já não sente……..

 

Ao longe  vislumbro novos rumos luminosos….

 

Sai um negro fumegar abundante em  chaminés de lareiras crepitantes ………cuja chama já extinta lambe um braseiro atiçado….

 

Fogos de palha ardem num nobre coração que coabita em gélidas muralhas talhadas em belas arcadas de amor desmoronadas ……..

 

A HORA DE DESPERTAR

É fria a noite, este abismo das horas!
É sombria no despontar a lua!
Minh`alma se desperta à imagem tua,
Tu, que minha sina hostil tanto adoras.

Qual um olhar, a noite se dilata
Cheia de planos no augusto porvir;
Quer ver de perto o astro reluzir
E o céu rasgar-se num cordão de prata.

Novamente eu sou poeta! Meu peito
Uma nota plangente logo ensaia,
Enquanto a solidão dorme em meu leito!

A quem me vê da esplêndida atalaia,
Suplico com pavor onde me deito:
- Que um dia eu possa estar na infinda praia!

Destino do amor

Destino do amor - aos amigos presente e ausentes
 
À noite quando me deito
solitário e desencantado
entre um palmo de realidades virtuais
e aqueles nossos beijos casuais
rogo à beira de árvore plantada
na réstia da sombra Divina 
que me conceda entender
uma pouco mais o ser que sou
que somos, mesmo que escravos
apesar de envelhecidos nas fadigas
que o corpo molestado habita 
e não se compadece;

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