Da minha poesia

És livre de ortografia, caligrafia e quaisquer dessas chatices
Podes muito bem ser coisas que o monstro normativo não permite
Tu omites detalhes e inventa adjetivos para descrever o inútil
Ah, poesia te amo, pois és leviana como a menina que amo
Te amo pois podes ser o que bem entender, assim como ela
Foge dos padrões pré-moldados

Luxúria

Beije meus lábios
 
Me deixe sentir esses seus tão frágeis
Esqueça meu hábito, meu álibi
De ser mal caráter, meio canalha
Apenas me deixa provar seu casto
Saber se é azedo ou amargo
Saber se é realmente casto
Diga-me que sou safado, tarado e tudo mais
Fale de tudo, de nada, mas me satisfaz

Grande Sonho

Vou estudar a gramática normativa e deixar de ser poeta
É o que me resta agora com a idade avançando
E o medo do futuro incerto (de ser poeta) me estremece
Infelizmente terei algumas contas para pagar,
Alguns filhos para alimentar
E não será com amor que o estomago deles se encherão
Que tal eu escrever um livro?

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