" Passagem..."

“ Passagens “

 

Sou apenas metamorfóse de vida,

Das almas que aqui vagueiam, da circunstância, do momento,

Do império dos sentidos...

Da eloquência vivida,

Da dualidade de um espelho,

Que reflete a agonia...

 

Sou apenas alguém que passa,

Transcendental, escondido no cósmos,

Sou apenas ar que respiro,

Ditem que eu sou a Louca e eu cantarei mais alto que a loucura.

Agito as águas calmas em ondulações de desejos, prescrevendo a loucura onde cantarei mais alto. Transformo o corpo no vento solar das marés vivas e a fala das pedras no novo cântico.

Troco o silêncio da noite pelo espanto da manhã, bebendo cada raio de sol que ilumina a rosa, são serenatas de emoções novas com que elevam os meus olhos.

Escutarei eu a diferença?

Escutarei eu a diferença?
Serei eu, por razão, digno
De distinguir o que de mão
Me dão ao ouvido? Ele que oiça!

Fraquejo-me de tímpano,
Mais, porque ainda, de sabedoria...
Todo céu me seduz e nado euforia;
Todo chão conduz alegria e dano!

Não quero presentes, irmandades,
Vectores para a vida: cornetas,
Em minhas orelhas, vestidas de setas.
A mim, pelos natais, desejem-me curiosidades;

Ipê Vermelho

Os caminhos que já tínhamos andado parecem ter marcado encontro na esquina do Ipê. Árvore singular. Talvez pedantemente singular, já que não se contenta com a beleza das flores roxas ou amarelas que suas outras irmãs ostentam e se cobre de um manto vermelho para se distinguir de todas.
Há cerca de vinte metros, ainda próxima de sua sombra, encontra-se a Escada Rolante que leva à Estação Subterrânea do Metrô Santa Cruz; e foi ali, hesitando em lançar-se rumo ao “abismo desconhecido”, que a vi pela primeira vez.

" Olhares Cruzados... "

“ Olhares Cruzados... “

 

                                              Num olhar cruzado, roubei-te a Alma,

Deixei tudo o que na mente, me inquietava,

Esqueci a existencia do Tempo,

Em segundos... divaguei,  não existi.

 

Perdi-me entre o ruído e o silêncio,

Na sombra do teu égo, permaneci.

Roubaste-me  a Alma por um momento,

Esta vida é um borrão! Um borrão!

Um abraço russo apertado colossal
A respirar o gelo dos que em sonhos e sorrisos estão cansados,
Onde os campos selvagens crescem,
Donde vieram as águas do inverno
Para que em minha goela
Pudesse molhar a sede e cantar os pássaros tristes.

Ensina-me a escrever teus cantos de surpresas
A morder seus prazeres e servir o toque
Que neste queixo amo deitar doce na cama verde.

Hóspede dos santos morros que em tua nuca coça
Desce ao pescoço teus dedos
Àquelas mentiras de tons terrosos.

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