Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Pessoas

Pessoas
(Mauro A Evaristo)

Tudo se resume as pessoas
De caráter, más, índoles boas
Que estão por aí nas igrejas,
Bares, casas, ruas com frieza.

Tudo se relaciona as pessoas
De boa fama, má formação
Do juiz ao pedreiro, do gari ao ladrão
E o que fazem sempre ressoa.

Toda boa vontade realizada,
Toda maldade praticada
Sempre a referência vem das pessoas

Que armas em punho, almas armadas
Vêem o bem que na prática não ressoa
Perdido em vão no tempo que voa.

feradapoesia.blogspot.com

havia m esquecido?

como posso enlouquecer
no dias de hoje. como posso me esquecer de alguém como voce. como posso permitir que voce vá embora são tantas perguntas mal respondidas caladas no tempo se der tempo vou lhe procurar então posso te ligar sei que ja és tarde a noite é fria .
como posso esquecer
que a cidade so acorda quando nos dois perdidos na madrugada nas ruas desta cidade
e a cidade não dorme e se resolve se o corpo dela lhe cai bem sou quem lhe quer bem a quem devo procurar
se vou enlouquecer
me deixe só.

Alfa e Omega

Alfa e Omega
(Mauro A Evaristo)

Aquele que se põe acima dos seus
Pseudo doutor de qualquer saber
Enxerga longe e não consegue ver
Que acima dele sempre estará Deus.

Aquele que se vê como bambambã
Seja no Oiapoque ou no Vietnã
Por mais que se põe acima dos seus
Sempre será pequeno diante de Deus.

Aquele que se acha o maior
As vezes de tanto o ser está só
E em sua subida o importante esqueceu

Cá e Lá

Cá estou eu;

Às vezes chego até ali,

Me acerco, às vezes, de acolá…

Mas lá?

Para mim não há lá!

Para mim, que sou de cá.

 

De cá olho para lá

Com olhinhos espichados,

Com olhinhos apertados

Como tentasse ver claramente

O que de lá aparece para mim, enevoado

Envolto numa bruma que torna lá irreal

Que se como se lá fosse uma ilusão,

Um sonho para quem é de cá.

 

Ponte não há

Senão aérea,

Senão etérea, cyberficial

Que conecte cá e lá

Palavras Peraltas

Às vezes, escrever

É brincar de pique com as palavras;

Elas parecem peixinhos escorregando na água

E minhas mãos nuas não as agarram.

Então as deixo nadar

E apenas observo sua dança brincalhona

 

Quantas realidade não dizem?

Quantas ficções não constroem?

Ah, palavrinhas peraltas!

Como vos amo, de todo o coração!

 

Desisto de escrever!

Quando quiserem se deixar pegar,

Estarei por aqui,

Esperando e observando com (des)atenção.

Antítese musicada

Antítese musicada
(Mauro A Evaristo)

Assim como pode entreter
Pode também a música subverter,
O mesmo instrumento que gera paz
Pode gerar inconformismo ou tanto faz.

A música pode criar revolução
Ou uma planejada acomodação
Pode ela tocar o emocional
Até despertar uma fúria social.

A música impulsiona exércitos
Tem poder fazer contemplar universos,
Acalmar quem chora seguir sorrindo,

A música tem usos controversos
Em si ajuda atinar raciocínios.
Que música você está ouvindo?

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