Ensinamento do dia

Ensinamento do dia

 

O percurso qualitativo é o desconhecido, o quantitativo, o decadente. Desbravar aquilo que se apresenta como uma possibilidade, um enigma intrincado entre chaves, das quais, toda e qualquer, abre portas, quaisquer que elas sejam; a luz se assoma na mesma intensidade que cega, a sombra retrocede na mesma direção por onde o caminho avança. Quanto maior a qualidade, maior sua ineficácia em conhecer, maior seu fracasso em se render aos caprichos investigativos daquele que se coloca como controlador. O tempo é matéria, a matéria é tempo, estagnados na transformação, sem bordas, qualquer soma é o todo carregado pelo pressentimento de não ser. A orientação que sobe, é a mesma que desce, a que a direita aponta, aponta para a esquerda, as circunstâncias caminham, tropeçam, ajoelham, levantam. Quanto menor a qualidade, menor sua autoridade frente ao indomável, menor seu descaso para com a tênue linha sobre a qual sustenta aquilo que a sustenta. A alternativa, a redenção, é plena no reconhecimento, no tato e no ato, na consideração e na abstenção de determinação. O ato é adentrar em responsabilidade sem responsabilizar, é escolher pelo acaso, abraçar os frutos e colher as brasas que germinam, que cauterizam e renovam o olhar. Para aqueles que escolhem ser coração, que pulsem, para os que escolhem ser razão, que julguem; os que escolhem não ser, que se dissolvam e diluam-se em fluxo. Escoem rumo a nutrição do solo, semeando sem jamais negar, sem jamais afirmar. Sem jamais escolher.

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