Prosa

Efémera é a Vida

A vida é efémera…

Vamos transitando de estado em estado. Umas vezes mais engarrafado que outras, mas o movimento é sempre crescente.

A ideia de que caminhamos todos os dias mais uns passos para a morte não é totalmente falsa, mas é tremendamente desoladora. Como é que adicionando dias, experiências ou momentos que dão sentido à nossa vida podemos pensar que estamos cada vez mais perto da derradeira hora?

Para mim, que tento ser optimista na forma como olho a minha estadia aqui, não vejo que seja possível morrer-se por viver…

Caminho e Lugar

Siga por aí sem rancor. Vai, pegue suas coisas e leve-as para outros lugares. O que não lhe couber nas mãos, abandone. As coisas têm os seus espaços. Assim como você, elas operam. Cada coisa em seu lugar. Não se preocupe com o que ficou: Os pertences são como gavetas que guardam histórias dentro de si mesmas. Se quiser ser livre, pertença a poucas, ou quem sabe, raras coisas. O que deixar pra trás contará sempre algo sobre você. Em cada momento, algo diferente. De resto, seja livre!

Pesadelo

Oiço barulhos vindos da cozinha,

Não sei se a minha mente me prega alguma partida.

Mas oiço passos, lentos, e lentamente mais constantes.

Oiço barulhos vindos da cozinha.

Serão vozes? Alguém se aproxima da minha porta.

Oiço barulhos, oiço-os aterrorizado.

Arrepios, suores, tremores, medo, muito medo.

Medo de não as ouvir mais, medo de ouvir o meu nome.

Alguém arranha a minha porta, ou algo!

Reuno a coragem necessaria, sou um exercito de um homem só!

Levanto-me em direção a porta do meu quarto!

Saco de Plástico

Não me afogues já,

Quero tudo ao mesmo tempo!

 

 Que será isto de ser um saco de plástico? Só sei que bebo respirações à pressa e continuo a revelar estes estímulos que revogo para todos. Passo o tempo a rebentar chamadas para o futuro que há de nos encher as medidas, mas não somos jarros nenhuns para que eu ouse essa insolência que me parte todos os dias fora de casa.

Ensaios na terra perto mar

A minha memória leva-me para junto do mar e o desafio da escrita impõe-se para transmitir o que sinto. É de manhã e o cheiro da areia molhada e a prata do sol refletido na água confere um brilho especial aos rostos das pessoas que por ali deambulam. É a pureza das manhãs solarengas. Vale a pena a paixão pela vida, viver como se nada mais importe do que a própria existência. Ser redundante na existência.Vale sempre a pena voltar aos sítios e absorver as diferenças. Viver sem objetivos marcados. Esta é a fórmula da felicidade enquanto fim último do ser humano.

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