Prosa

Efémera é a Vida

A vida é efémera…

Vamos transitando de estado em estado. Umas vezes mais engarrafado que outras, mas o movimento é sempre crescente.

A ideia de que caminhamos todos os dias mais uns passos para a morte não é totalmente falsa, mas é tremendamente desoladora. Como é que adicionando dias, experiências ou momentos que dão sentido à nossa vida podemos pensar que estamos cada vez mais perto da derradeira hora?

Para mim, que tento ser optimista na forma como olho a minha estadia aqui, não vejo que seja possível morrer-se por viver…

Caminho e Lugar

Siga por aí sem rancor. Vai, pegue suas coisas e leve-as para outros lugares. O que não lhe couber nas mãos, abandone. As coisas têm os seus espaços. Assim como você, elas operam. Cada coisa em seu lugar. Não se preocupe com o que ficou: Os pertences são como gavetas que guardam histórias dentro de si mesmas. Se quiser ser livre, pertença a poucas, ou quem sabe, raras coisas. O que deixar pra trás contará sempre algo sobre você. Em cada momento, algo diferente. De resto, seja livre!

Trovas

 

Quem quiser beber de graça.

vá à casa do seu chico,

lá tem cipó na cachaça,

vem que lá eu te explico.

               ***

Vem, que lá eu te explico,

e lá não tem só cachaça,

o vinho  bebo no bico,

e nada de arruaça.

 

De: Madalena Cordeiro

 

Pesadelo

Oiço barulhos vindos da cozinha,

Não sei se a minha mente me prega alguma partida.

Mas oiço passos, lentos, e lentamente mais constantes.

Oiço barulhos vindos da cozinha.

Serão vozes? Alguém se aproxima da minha porta.

Oiço barulhos, oiço-os aterrorizado.

Arrepios, suores, tremores, medo, muito medo.

Medo de não as ouvir mais, medo de ouvir o meu nome.

Alguém arranha a minha porta, ou algo!

Reuno a coragem necessaria, sou um exercito de um homem só!

Levanto-me em direção a porta do meu quarto!

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