Prosa Poética

À deriva

Abeiro-me deste pensamento
 
recém chegado
 
inundando o tempo de espera
 
ainda te tateava o ser rodeado
 
de oceânicas quimeras
 
gotejando a cada Índico naufrágio
 
no silêncio Pacífico desta espera
 
inescusável
 
contornando o litoral Atlântico
 
onde viajo contemplando
 
cada maresia que teu ser
 

Silêncios vespertinos

Medra o rumor das águas
 
enquanto por ti caminho
 
vespertino
 
diluindo as escuridões do mundo
 
rompendo pela alva
 
tão copiosamente
 
revelando-te os segredos
 
num punhado de versos inacabados
 
 
Conciliei minhas orações
 
repetindo-te a existência inédita
 
dos nossos seres religiosamente
 

Pelos requintes do tempo

Apurei os ouvidos
 
escutando tantos forjados
 
cânticos de amor e esperança
 
correndo para ti ébrio de vida
 
latindo em tuas cascatas
 
feitas vestes no teu ser
 
que desnudo silenciosamente
 
revigorando a leda noite
 
que fecundo deliciosamente
 
 
– Restam curtas memórias
 
nestes meus versos

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