Prosa Poética

Tempo de súplica

Desatei às portas da noite
 
o nó de meus nómadas
 
arredores vadios
 
contornei as ânsias
 
no espaço livre que me ofereces
 
 
   Enlacei este dia
 
com fios de vida acorrentados
 
à fome que alimenta a fartura
 
de tantos desejos insânos
 
 
  Soltei as rédeas
 
em cada verbo mais livre

Há em mim

Há no céu tanta
 
ânsia cativa em movimentos
 
extasiados
 
tantas tranjetórias frenéticas
 
desenhadas na maciês deste
 
constante devaneio afluindo à tona
 
em noites vestidas de purpura
 
num poema trajado de olímpicas quimeras
 
onde nasce o dia grisalho
 
tatuado em bálsamos musicados
 

Em trânsito...

Desabotoei de mansinho
 
as cores e o destino que desvanece
 
na tarde
 
lembrando o contorno de cada palavra
 
ouvida e sentida nas preces errantes
 
 
– Decorei um mundo de
 
perguntas que nunca fiz
 
arrastando as horas
 
até ao declive onde morre o tempo
 
elaborei todas as respostas
 

Fossem meus olhos...

Fossem meus olhos
 
bordados nos imensos céus
 
onde pairam os silêncios teus
 
e então trocaria de vez
 
o sentido impaciente com que descrevo
 
nossa entrega
 
sem indiferenças nem contemplações
 
à luz de plenas
 
recompensas e escravizantes ilusões
 
 
– Que me ornamentes as palavras
 

Essa luz...

Reflecte-me essa luz
 
que toda a manhã de ti
 
se desprende espantando
 
a noite
 
despindo o dia que celebramos
 
em estações frutíferas de amor
 
 
– Irrompe comigo
 
neste jazigo onde ressuscitámos
 
toda a poesia em nós viva
 
em secretas clausuras
 
de ternura e valentia
 
 

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