Prosa Poética

Sem palavras

Há dias nos quais as palavras se recolhem. Hoje o tempo esfriou, e as poesias, como pétalas magnólias, atrofiaram-se entre si. Aconchegadas no sepulcro do silêncio, começo a perscrutá-las; nada de senti-las, é como se o inverno arranhasse meus dedos deixando-as livres de qualquer nomeação. Elas têm o direito de não se expressarem, e eu, poeta maldito, forço-as a saírem de mim. À parte delas, recolho-me à cama e volto a sonhar versos.

Música ambiente

Ouço nessa melodia da música eletrônica o que estetas categorizam como belo. Santos os homens apregoados da arte bela proporcionarem tal graça. Abençoada seja a corrente de energia transpondo aquilo que adoro. Saúdo a tecnologia que hoje em dia nos subordina viver-nos por ela. De tamanha gratidão esclareço-me concisamente: sou amante da música ambiente.

Várias formas

Medo então éramos dois corpos
Numa noite em plena sexta de chuva
Poderíamos ser carne
Espírito podemos então sentir mãos
Cheiro .
Sabe que nós dois
Era pra ser
Música
Um blues
Sexta faz bem um samba
Goles longos de whisky
Sabe-se que procuramos diversão
E se existe algo melhor me apresente
Eu você e o mundo em nossas mãos
.

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