Apagão

 

É comum o sapo morrer na lagoa.
O mendigo comer lixo na sarjeta 
O tráfico de entorpecentes nas escolas, 
A fila quilométrica do INSS fazendo curva na rua estreita
O moleque desde a tenra idade viciado em cola.

É comum a violência subjugar a lei. 
A mãe com uma “penca” de filhos no semáforo pedindo esmolas 
O inocente ser refém da mesma grei,
Os filhos desesperados do desemprego 
os escravos das drogas.

Quanto vale um amigo?

 

Amigo, é estrela dardejante que enfeita o céu.

É braço forte em tempos de guerra,

O consolo infindo quando murcha a esperança

A fragrância inaudita das flores de uma singular primavera. 

Como doce fragata navegando o azul ferrete do mar...

Vem cheio de lume e mantos.

Suas mãos são a destreza, e a arte primorosa de um experiente tecelão,

Seus olhos possuem as nuanças mais delicadas da aquarela.

E assim é feito ele de quantos encantos? 

Meu Deus!

O verdadeiro amigo se possível morri cravado numa cruz.

As Sete Súplicas Para a Entrada no Reino dos Justos

 

            Deus, se eu lhe dissesse que não sei mais de onde tirar forças, meus clamores seriam ouvidos?

            Se já sou claro de minha pequenez e de minha ínfima limitação, por que insiste em me guiar pelos caminhos que humilham minh' alma?

            Corte meus calcanhares e dilacere meu peito, pois quero morrer sentindo o peso do meu sangue, sem mais precisar sentir a dor que não cessa.

Pra sempre

 

Somos a brisa e o fogo.

O mar e a lua

A flor e o jardim,

O beijo ardente, e a pele nua.

Nascemos da mesma placenta.

Sou tua sorte

És minha fonte inesgotável,

E juntos somos mais forte do quer a morte.

Um conto de amor será: nossa historia...

O vento contará ás estrelas tudo que sentimos

Coração e alma...

Abraçados prosseguimos.

Você e eu de bengalas nas mãos...

Beijando nossos netinhos

Com o mesmo amor, e a mesma gentileza na fala...

Te perdoei

Você deixou de ser pra mim saudade.

As noites pungentes e enlutadas

Espinhos indianos na minha estrada

O punhal traiçoeiro, e a inverdade. 

A dor sufocando meu peito.

O desencanto da minha alma

As lágrimas torrenciais inundando meu leito

O pássaro agorento que silenciava minha fala. 

O enigma que me trazia medo

O vazio que avassalava meu coração

A terrível angustia que me assistia bem cedo

Os dentes afiados do tubarão. 

Enfim, você deixou de ser pra mim o amor da minha vida.

É natal

 

Vejo anjos brincando na chuva.

Uma nuvem alvinha sobre meus olhos flutuar

Crianças vestidas de ternos e luvas...

Em noites brilhantes a bailar. 

É natal! Exclama no céu azul uma estrela pequenina.

E na terra... Tão ferida pela guerra, e desamor,

Pelo o egoísmo, e pela dor.

Nasce luz... A paz gloriosa que a todos sublima. 

Por um instante os homens reconhecem seus vis retratos.

Não se veem mais mendigos nas esquinas

O soar inflamado das tribunas “cretinas”

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