Entre chuviscos

Entre chuviscos o tempo liquefaz-se num desejo impiedoso
No limbo das palavras só o silêncio jaz radiante e suntuoso
Sem pestanejar a dia queda-se entre famintos afagos  maviosos
 
Entre chuviscos a solidão encastra-se nos lençóis de um sonho sedoso
Nos píncaros da noite a paz enleva-se no mastro dos sussurros assombrosos
Cada breu é um bálsamo fértil e faminto prostrado no silêncio meticuloso
 
Entre chuviscos a vida renasce no estampido precário de um eco vertiginoso

O pavimento do silêncio

O pavimento do silêncio assoalha a solidão com palavras urgentes
Sublime e dolorosa a luz requenta todas estas emoções estridentes
E doidamente dormita nas notívagas paisagens de um sonho impertinente
 
O pavimento do silêncio é flutuante e assente num breve sussurro fluente
Calçam os passeios com empedrados e basálticos uivos mais coniventes
Afagam o lajedo do tempo onde caminham incólumes segundos repelentes
 

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