Aqueles que pertencem à noite

Um espírito escuro está rondando
Os degraus do local insólito
Rugidos melindrosos crescem aos ouvidos
O inferno quer devorar a maldita alma

Neste hospício as vozes me enlouquecem
Não há nada além dos cantos que fenecem
Obscura chance de fugir, torrente sorte
Enclausurada na parede torpe

AFOITO

 

 

 

afoito no asfalto

na rua de ondas desiguais

pareço-me com o idílio

das pedras horizontais

que não se despedem do ermo

do plano remoto

estoico

(dos videntes sem tarjas

sem vislumbres e calabouços)

que me cala a saliva dos olhos

encoberto pela selva salva

descoberto na relva áspera

como um totem nu

silente/emergente

nas têmporas errantes

-de quem?

 

 

 

Uma Mãe

Uma mulher caminha 
Na rua nua de amor
Ela põe a sua mão na minha 
E olha para mim na sua dor.
 
Fecha o rosto com as mãos 
Para chorar o vazio avassalador.
Enquanto uma lágrima corre nos olhos
Uma avassaladora dor.
 
Mãe que grita por dentro
Chora a amargura da guerra
Um filho mal agasalhado 
Parte para enfrentar a guerra
Que ele nunca jamais iria escolher.
 

A serenidade dos silêncios

Vi-me dentro da bolha dos ternos silêncios estáticos
Deixei a alma fundir-se com todos os lamentos axiomáticos
Deixei as palavras exprimirem sua raiva contida num uivo selvático
 
Na serenidade dos silêncios flutua a manhã convertida num eco apático
Perdido na serenidade do tempo esvai-se um segundo bravio e matemático

Banalização

Sei que é banal da vossa parte 
Desprezar o escritor e o poeta.
Mas, e se fosse crime 
Abandonar um poeta à sua pobreza humana
Se o poeta nunca vos abandonou,
Sozinhos na vossa ignorância profana.
 
Sei que acham banal assistir 
A coisas e a manter-se calados 
No canto porque foram educados a assistir
Mesmo a coisas que podessem ficar traumatizados
Quando o pai pedia que fossem educados
Quando ele fazia o sinal de silêncio.

Vida humana

A vida humana trasanda a falsidade

Como quem trasanda a ópio

Que distorce a verdade

Daqueles que são cegos ao óbvio,

Drogados numa crença 

São a sociedade critica 

Que vai atirar a primeira pedra.

 

Ter uma solução,

é como ter um bem sagrado ou precioso.

Num universo paralelo 

Onde os deuses se davam 

Com os homens e os homens

Não eram castigados pelo que pensavam

Havia respeito pelas suas ordens.

 

Palavras de línguas perdidas que os clérigos

Permanente

Permanentemente a mente mentem

Mentiras permanentes na evidência

Eventual da constante sobrevivência

da humana condição já demente.

 

A mente sabe desmentir à cara podre

a pobreza de raciocínio lógico

abafado pelo eco longínquo

do despertar para combater a hipocrisia

dos cruzadores de braços perpétuos.

 

Caímos na desgraça tão engraçada

de dar graças a seres invisíveis

graças à imaginação exagerada

de um idealismo de seres sensíveis

que tem poderes de cura para a felicidade

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