A LAMA DA MUDANÇA
Autor: MS.Odédemim on Monday, 16 November 2015

Se ela passa.
Quando ela passa.
Oh! Quando ela passa tudo passa com ela!...
Leva um bonito dia de sol, leva o cheiro das flores, leva a frescura do vento!
Quando ela passa tudo é mais fácil, tudo se ilumina.
O mundo conspira quando ela passa.
Até os pássaros cantam o seu nome, as folhas dançam num ritmo perdido pelo ar quando ela passa!
Até mesmo eu, desajeitado trapalhão balbuciante ganho jeito , e forma quando ela passa!
Na verdade agora é tudo um sonho, ela passava sim.
Passava com tudo isto, trazia tudo aquilo.
Soletro esta minha inquietude
No nevoeiro da redonda terra
Entre a insensatez dos espinhos
Rosas que perfuram a carne branda
Pálpebras exaltadas no corpo
Devastação do fogo nas madrugadas
Há uma gestação feita de medo
No sangue derramado das palavras
Pétalas de mentira nas lágrimas de sangue
Delírio dos olhos nas palavras impróprias
Cobertas estão as portas na falácia da morte
Sepultura feita de ouro no vicio, na voz
Nas pétalas das rosas cruas de um quadro
Sombra... não passas de uma sombra....
Sombra negra,que jaz fria,
no recanto da minha insanea memória,
como um vulto, que permanece na escuridão,
silêncioso, apático e imóvel...
e continuas uma sombra; não por prazer, apenas por escolha
ou por opção, ou talvez...
porque quando olhas para mim não vês nada senão
outra sombra..
Duas sombras somos então.
APENAS MAIS UM
Se for pra judiar,
Fica onde você está.
Não vem me atrapalhar!
Sai do meu caminho,
Eu preciso de carinho!
Sou livre para voar.
Tenho milhares à conquistar!
Milhões já conquistei...
Você é apenas mais um;
Na minha conta de somar.
Autora: Madalena Cordeiro...
Esse teu olhar sabe muito mas não conta nada.
É como o teu sorriso que esconde subtilmente a vontade de partires.
Sensato o ato precoce de teres arrancado o teu coração.
Enquanto que eu num fingimento inútil tento ignorar o meu.
Apaixonadamente beijei os lábios da indiferença, e nem o seu sabor senti.
Um calor que não aquece quando o que mais precisava era de me aquecer.
Depositéi-me na esperança que talvez através do meu amor tu despertasses o teu.
Eu pensava que o amor era fácil. Pensava eu enganado.
Desilusão após desilusão fui me apercebendo do que realmente é o amor.
O amor é uma anedota sem graça. Podemos contá-la de diferentes maneiras, mas será sempre em vão porque no final ninguém se ri.
Podes mudar as personagens, podes mudar o início, moldar o meio e alterar o fim.
Poderás eventualmente demorar mais tempo a contá-la, como pode ser contada rápidamente. Poderás até nem chegar a contar a anedota em si.
Não sei o que faça deste frio tão gelado,
Que, no Verão ou no Inverno, fustiga tanto as noites como os dias.
Quando penso em ti, quando sonho acordado,
Vejo, ao fundo,
sorrisos meus
acenando à minha irresponsabilidade ébria,
como quem diz adeus...
A folha da confiança, que é fria,
quando amarrota
apaga o dia
e não volta
a ser lisa.
O vento passa
levando e trazendo
o que não tenho,
alisando a minha memória das fissuras
e mantendo viva a esperança
que tenho de viver em linha recta.
Mas não apaga o desenho do Adeus,
não aquece a folha da confiança amarrotada
não faz meus os desejos teus,
nem retroceder na perene estrada.