Meditação

a recuperação do ardor

sopeso as agruras para depois as verter num recipiente que flutue com reflexões que modifiquem as cadências ignoradas da vida; que ludibriem os usos sórdidos nos esconderijos onde as conjunturas se reúnem; que investiguem o sofrimento desviando-o da paisagem agreste frequentada pela solidão.

a recuperação do ardor

nas montanhas escarpadas da felicidade renuncio às minhas lágrimas e expulso as máculas transversais aos meus alvoroços; demando pelas vítimas da patriótica textura que enalteceram os fervores das suas desgraças; angario trovas de amor cuspindo-as depois para o soalho da minha redoma.

a recuperação do ardor

entrei num verdadeiro parlamento para debater as tempestades que assolam o mundo e os seus vulgares emolumentos; para condenar as genuflexões das massas ao poder dominador; para triunfar sobre a pasmaceira que fatiga quem segue pelas catacumbas do ócio até ao dealbar da sua salvação.

a recuperação do ardor

os valorosos sentimentos abrandam as discórdias e os seus clamores quando os seus progressos figuram a miséria por decifrar no encalço do mundo; quando reprovam a farsa intrometida nos eixos da sua convalescença; e quando se juntam numa inexprimível guerra às suas meditações adulteradas.

VIVÊNCIAS

Quisera poder voltar no tempo e dar mais valor a tudo que vivi...

A chuva de verão, a pipoca quentinha que tinha gosto de quero mais, aos bolinhos de chuva... A pular nas poças de lama, correr pela rua, brincar com os primos e ser feliz com o simples fato de sermos livres, em nossa inocência!!! Até dos puxões de orelha... dá saudade...

     Mas crescemos, a chuva de verão, deixamos de notar!

A pipoca agora é de microondas. bolinho de chuva é pré pronto, e vovó não está mais aqui... As poças de lama??? Onde???? Vivemos no asfalto, nos condomínios e prédios...

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