a flor austera
Autor: António Tê Santos on Tuesday, 30 January 2018as palavras que eu recolho transportam as narrativas da fantasia colmatando os bailados esquecidos pelo troar das amarguras e enaltecendo a esperança deslaçada pela minha vocação.
as palavras que eu recolho transportam as narrativas da fantasia colmatando os bailados esquecidos pelo troar das amarguras e enaltecendo a esperança deslaçada pela minha vocação.
a poesia ressoa no campo da mundanidade catapultando as suas ilações para o centro duma harmonia extravagante ao suster as armas do devaneio ou ao bramir contra os julgamentos contrafeitos.
principio um risonho alvor encaixando miragens nos meus baluartes; iço-me a lugares onde experimento palavras que fragoram na reflexão; recolho poesias em jardins diáfanos afugentando os dichotes aleivosos.
a severidade insere-se nos tratos que aperfeiçoam a solidão ao clarear a fraseologia que transporta os queixumes; perfura os dizeres ecoando na estratégia de ampliar os sentimentos que grafam deceções.
Agarrar-me a algo, não necessariamente a alguem, mas a alguma coisa.
Preservar enquanto posso, não a tua mão, porém o sentimento que carrega.
A solidão veste o hábito de se deixar ludibriar por qualquer intimidade.
Proximidade que observo à distância, tão longe de mim.
sou um artífice que se amplifica diante das tresloucadas vicissitudes: umas provêm do riacho álgido que desagua na malvadez; outras intercalam-se na poesia brotando imersas questões vinculadas à liberdade.
Neste poema,
De que sou o artista.
Exponho um problema,
O dilema do alpinista.
Iniciada a campanha,
Façanha que assume.
Adormece com a montanha,
Enquanto sonha com o cume.
Vencida montanha, na consumação do objetivo,
Surge o dilema desta história,
Depois do topo ser atingido
O que é que o alpinista faz agora?
sobre uma mesa triunfal reviro as ofensas que camuflam o significado dos vocábulos: são agoiros ou abastecimentos experienciais; são dizeres fátuos ou briosos que atravessam a homenagem aos poetas mortos.