Prosa Poética

Cartografia da solidão

Volto contigo sonhando
 
a madrugada apetecível
 
esquadrinhando outras ilusões,
 
onde o resto destas palavras
 
serão apenas minhas incursões
 
pelos teus anseios desejosos
 
salientes em cada toque suave
 
daqueles olhares tão fogosos
 
e marginais
 
 
 Ensina-me de novo a viver
 
saboreando da vida como

O momento

Quero servir-te poesia
 
sediar-me em ti
 
em cada  momento
 
deliciar-te desvairado
 
onde simplesmente os dois
 
acontecemos extemporaneamente
 
 
E foi quando rasgando risadas
 
pautámos cada relíquia de tempo
 
num perplexo poema
 
assim disponível
 
neste electrizante dilema
 

Dá-me vida...

Dá-me vida
 
Que grata ironia
destapo as frestas
onde cabem integralmente
a grafia totalitária
dos meus selectos pensamentos
e lá descubro tua imensidão
recostada no consolo dos rabiscos
digitalizados onde afagas
discreta nossa tímida afeição
 
Minha consolação?
Já nem sei se me escondo
ou não em tamanha amnistia 
pois serei daqui para a frente
imponderável,

Porque morre o tempo...

Porque morre o tempo...
 
Se na maré a seguir 
tão sózinho me perder
e mesmo assim
em teus rios me deixares aportar
dando-me a rota na qual devo
ou não afluir
então
nosso amor mostrará 
quais os caminho por nós
apossados e maquilhados
na pareceria apaixonada
de dois seres nunca decepcionados
 
Eu estarei sempre 
ali onde todos me quiserem

Nau de Èbano

 Nau de ébano

 

 

Tive uma vida ...

... Intensa ... errática ...

Fui vagabundo ... vadio ... viajante...

Viajei meio mundo ...

e invejei os que viajaram o outro meio

Parti numa nau de ébano

e na minha mente permanecem  aromas indeléveis

aromas de especiarias ...  rostos e etnias

... Uma mulher de veste negra

não me deixou admirar a beleza

Que linda é a beleza do seu caminhar... pela areia do deserto

- Se calhar eras tu!!!

 

 

Ardemos

 

 - Ardemos –

Inspira e expira o plasma do fogo

do amanhecer em pele nua de mim.

A tua boca na minha boca

expira o desejo do fundo das cinzas

da paixão tatuadas no peito roto do coração.

Lanço a flecha invisível do delírio,

os claustros dos raios solarengos que

ofuscam em mim a sombra,

os devaneios e os vícios.

Come-me,

bebe-me o livro que abro em minha alma

que prossegue a mesma inquietude.

A loucura é o jardim que floresce

em aguarela de cores ,

BRASAS AO CHÃO

EU SOU O VENTO,

QUE PASSA LIGEIRO...

SOU SEU DESESPERO...

SORRISO MATREIRO...

 

SOU BRISA...

EM DIA DE SOL!

SOU FOGO A QUEIMAR,

SEU CORAÇÃO.

 

SOU FURACÃO,

QUANDO CHEGO DEPRESSA.

E SAIO.

DEIXANDO-O NA MÃO.

 

SOU FURIA LOUCA! 

QUANDO BEIJO NA BOCA...

CICLONE VIRAMOS.

JUNTOS SOMOS PAIXÃO!

 

NO MEIO DA FÚRIA...

O FOGO ACONTECE.

E QUANDO TUDO SE ACABA!

AINDA RESTAM AS BRASAS...

ROLANDO AO CHÃO

ARLETE KLENS

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