Saudade

O teu olhar

O TEU OLHAR

 

Nos teus olhos

Que hoje já não me olham mais

Consigo ver o mundo que deixaste

A paz, a luz, a cor da vida

Consigo visualizar todo o amor

Que deixaste em mim

Pelos teus olhos

Vejo o mar que vais velejando

No céu do meu pensamento

E carrego o encantamento

Que a vida me ofereceu pela tua mão

Teu olhar tem a pulsação do amor

Teu olhar é orvalhado de ternura

Teu olhar é um poema de saudade

Teu olhar é um riacho sereno

Mulheres vestidas de preto

Os homens da minha aldeia morrem cedo, as suas mulheres vestem-se de preto, é uma fatalidade que aceitam com sofrimento e serenidade, com coragem… Sempre assim foi.

As mulheres vestidas de preto olham o futuro com determinação e transformam o presente. Trabalham descalças no verão, cultivam, regam, lavam, cozinham, abraçam os filhos, choram…

Quando caminham para o campo sorriem, vivem as emoções certas nos momentos certos, têm as palavras certas para dar às pessoas certas, têm a alma aberta e o coração fechado.

Página 8 do meu livro-Nem tudo se perde,a história continua

No oitavo mês

Dia das mães,meu aniversário e eventos,

Em meu pensamento,

Muito tormento,

Mistura de sentimentos,

Sendo assim...não comento,

Só espero os acalentos,

E junto com o vento,

Se vai o lamento,

E o palhaço correndo,

Em busca do reconhecimento,

Justiça e merecimento,

Poesias e discernimento,

Orações para o ferimento,

Benção para o arrependimento,

Nos unimos no sofrimento,

Buscando o alimento,

Nos piores momentos.

Solange Pansieri

 

Página 7 do meu livro-saudades do meu filho

No sétimo mês

Dureza lidar com a saudade,

Com tanta serenidade,

Essa é a verdade,

E ao cair da tarde,

As vezes parece maldade,

A minha realidade,

Um verdadeiro massacre,

Caminhávamos a tarde,

Conversávamos sobre a eternidade,

Mesmo com adversidades,

Hoje...para encontrar a felicidade,

Me esforço barbaridade,

Buscando na espiritualidade,

Força e responsabilidade,

E quando a tristeza invade,

Choro e peço piedade,

Com toda voracidade,

Pra esse Deus de verdade.

Página 6 do meu livro-saudades do meu filho

No sexto mês

Comecei com a poesia,

Tentando, em tudo, ver alegria,

Com o tempo...quem diria,

Que muitos amigos eu tinha,

E eles me acolheria,

No mundo em que eu vivia,

Solidão me perseguia,

Conversar não conseguia,

E viver assim, não poderia,

No abismo cairia,

E nada mudaria,

Pra sair da agonia,

Precisava de companhia,

Muita coisa não sabia,

Por tudo que passaria,

A vida ensinaria.

Solange Pansieri

 

 

 

Página 5 do meu livro-homenagem ao meu filho que partiu

No quinto mês

Com um novo olhar,

Tentando melhorar,

Evitando reclamar,

Para as coisas facilitar,

A paz mentalizar,

Pra que eu pudesse suportar,

A tristeza do olhar,

E a vontade de chorar,

Com o tempo iria passar,

Por não ter como apagar,

Seia preciso lutar,

Que tudo iria mudar,

Difícil de enxergar,

Mas era preciso acreditar,

E continuar a caminhar.

 

Solange Pansieri

Página 4 do meu livro

No quarto mês

Melhor eu parecia,

Mas precisava de alegria,

Para o dia que amanhecia,

Para o sol que aparecia,

Quando a lua se escondia,

Muita paz eu merecia,

Enquanto eu sofria,

Muita lágrima caia,

E nada acontecia,

Até que um dia,

Ventos de calmaria,

Na minha vida assopraria,

E na nova realidade eu vivia,

Mas, com a esperança que me pertencia,

Renascia! Sabia que conseguiria.

Noite vs Saudade

A noite vem poisando devagar sobre a terra,
Que a inunda de amargura,
E nem sequer a benção do luar,
A quis tornar divinamente pura.
Ninguém vem atrás dela,
A acompanhar a sua dor, que é cheia de tortura,
E eu oiço a imensa noite a soluçar,
E eu oiço a soluçar a noite escura...
Porque és assim tão escura, assim tão triste?
É que talvez ó noite, em ti existe,
Uma saudade igual à que eu contenho.
Saudade essa que eu sei de onde vem,
Talvez de ti ó noite, ou de ninguém,
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho.

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