Soneto

Dentro

"Ser forte à custa alheia é ser fraco à custa própria."
Vergílio Ferreira

Sitiados nas masmorras da existência
Atirados com força à pedra dura
Multidão emparedada não murmura
Antes grita muda à geral anuência.

Catacumbas de sonhos na eminência
De esvaecer, aluviadas n'amargura
De tudo o que de belo se afigura
Intangível - delíquio, sobra ausência.

Óbice, abnegação ou ádvenas desígnios?,
Dos tantos apartados ao anseio d'âmbar,
Todavia há inescrutáveis ortos ígneos

Mil Vidas Numa Só

"Sê calmo até à estupidez como a vida. E todavia. Dar a volta por quanto existi - e exististe tanto. Porque uma vida humana. Como ela é intensa. Porque o que nela acontece não é o que nela acontece mas a quantidade de nós que acontece nesse acontecer."
Vergílio Ferreira

Permeadas mil veredas numa só,
Do zénite ao nadir e no entremeio,
E ábdita a Mnemosyne, já descreio
Em descrer os Desígnios e até em Jó.

Ser Lusitano

Ser Lusitano

 

As águas extravasaram o leito,

As feras desceram à cidade,

Mas do ilustre Lusitano peito,

Ouviu-se o grito da Liberdade.

 

Todos os Deuses se reuniram,

Bruxas e demónios acorreram,

Do ilustre peito Lusitano saíram

Gritos dos que não se submeteram.

 

Nos mares, Sereias se calaram,

Temendo tamanho terror,

E até Musas se resguardaram.

 

Exaltou-se ilustre peito Lusitano

Enfrentando, sem qualquer temor,

O Mostrengo em pleno Oceano.

 

Da Despedida

 
Escreva, no fundo da epiderme, o fim deste encanto!
Transcreva, no fundo da hipoderme: não há santo...
Prenda em sua memória, se capaz for, com adraganto,
o fim, ignore, leve este último piricanto!
 
Como um canto, a reprise deste encanto.
Com espanto, percebes que não há encanto?
Não há, entre os mortais, nenhum santo?
Princípios, jogue todos em algum canto!
 
O fim daquilo que tanto você negou...

Sobre a Humanidade

Não consegue provar nem sua própria existência
Como queres, divina, explicar o iminente caos?
Como queres, como cínica, explicar naos?
Talvez seja esta a nossa verdadeira prepotência
 
Não prova, o que consegue, a existência própria?
O caos explica, cinicamente, como queres?
O naos explica,  divinamente, como queres?
Talvez seja esta a nossa verdadeira inadimplência...
 
Repita este canto: não tem explicação...

ONDE ESTÁ VOCÊ MENINA.

Onde está você menina...
Que um dia vi na janela?
Pra mim, a moça mais linda!
Dentre outras, a mais bela!

Sonho de adolescente...
De um tempo bom que passou!
Talvez a saudade em mente...
Da sedução do amor!

Será que de fato existiu!?
Ou quem sabe não surgiu...
De uma paixão desconhecida!?

Me vem a mente a mesma tela...
Emoldurada por janela...
De um amor despertando pra vida!

(Autor: Divacy Lemos)

SE EU APENAS UM DIA...

Se eu apenas um dia...
Dedica-se a você!!
E os outros como seria...
Sem você no meu viver!?

Se eu apenas um dia...
Falasse pra ti: eu te amo...
Confesso, não viveria...
Se dois em um é o que somos!

Tu és mulher: vida minha...
Sempre a minha menininha...
Amada...o sonho meu!

És o Sol na minha vida...
E todo dia querida...
Serei sempre o homem seu!

(Autor: Divacy Lemos)

ESTOU SOZINHO...

É madrugada estou sozinho...
Sentindo a falta de você.
Do seu beijo, seu carinho...
Que vontade de te ter...

Nos meus braços meu amor...
E sentir seu corpo quente.
O seu beijo sedutor...
Amor...como estou carente!

De rolar contigo na cama...
Você gritar que me ama...
Sentir seu corpo no meu!

E por fim não saciado...
Mais e mais apaixonado...
Unir meu corpo ao seu!

(Autor: Divacy Lemos)

ONTEM...HOJE...

Ontem você me enxergava...
Eu andava de carro montado.
Te levava pra todo lado...
E você me admirava!

Se precisava de mim...
Estava ao seu dispor...
E sempre falava assim:
Você é o meu senhor!

Hoje, quando por mim passa...
Bem perto você disfarça...
E finge que não me olhou!

Ontem, você me dizia...
Sem mim, você não vivia...
Hoje...um estranho sou

(Autor: Divacy Lemos)

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