Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado —
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Limbo

Limbo
(Mauro A Evaristo)

Nós que antes das 5 da manhã
Não viralizamos nos posts do Instagram,
Mas precisamos iniciar o corre
Pois, nenhum político nos acode.

Nós que antes das 6 da manhã
Precisamos pegar ônibus lotados
Pra garantirmos na 6X1 parcos salários
Sem tempo as asneiras desses bambambãs.

A todos os "vagabundos" desta nação
Que pisados sem a menor consideração
Lembrem-se que vocês têm o poder

E nessa e qualquer outra eleição
Devolvam no mesmo proceder
E que o limbo os possa acolher.

A música em você

A música em você
(Mauro A Evaristo)

A música não é só entretenimento
Também é programação emocional,
Afeta inconscientes comportamentos,
Equilibra (ou não) o estado vibracional.

A música age no âmago do ser,
Direciona rotas, muda o viver,
Aprofunda a dor ou alegria de ter.
Qual música manipula você?

A música é toque de guerra,
Mote pra quebra pau, bandalheira
Idem a meditação, auto alto astral,

Acalma homens, enfurece feras,
Ilude uma nação inteira.
Qual música afeta seu emocional?

Onde

Onde estamos que não nos vemos mais?

Onde a poesia que jazia

Quente, viscosa e vital como o sangue

Escondeu-se que não lhe ouvimos

Nem o mais leve sussurro?

 

Em que imensidão estamos

Imersos, e cegos, e surdos

Alheios à prosa?

Perdidos, enfurnados no vazio…

Num imenso vazio repleto de poeira;

Resíduos de sentimentos não sentidos,

De palavras não expressas,

De risos virtuais.

Isolados e isolantes como se ninguém

Fosse alguém o bastante para nos merecer.

 

Agora

Cansaço

Desculpem se pareço desolado

É só cansaço

Que, às vezes, me embota

Desbotando toda a inspiração.

Às vezes me bloqueia

Restando apenas a respiração.

 

E sorver o ar também cansa

Por causa de tanta poluição

Que torna denso o pensamento

E fornece ideias meio tóxicas

Que entorpecem tanto a realidade

Quanto a fantasia.

 

E, no meio disso tudo,

Nada se salva;

Nem a alegria,

Nem a poesia

Que pulsam no meu sangue

Se retêm. Esvaem-se como poeira

O Preço da Poesia

Quando a gente encontra a palavra exata,

Aquela mesma que cabe direitinho

No cantinho que tem na nossa alma

No momento mais preciso,

Quando a gente nem sabia que estava lá…

Tem preço isso?

 

Quando a gente encontra a palavra exata,

Aquela mesma que conta direitinho

O que está acontecendo no mundo

No momento mais preciso,

Quando a gente tenta entender tudo…

Tem preço isso?

 

Quando a gente encontra a palavra exata,

Aquela mesma que consegue direitinho

Dores Que Não São Minhas

Sei sentir dores que não são minhas

Mas não as quero;

Sei me afogar em mares que nunca toquei

Sem sequer provar seu sal.

Sei fechar os olhos e ver a profunda escuridão

Ao meio-dia, em pleno verão

Enquanto tudo em volta queima e arde…

 

Mas também sei curar,

Sei sair da água e respirar.

Sei acender a luz e resplandecer.

E, como a morte não é um estado temporário,

Prefiro a perenidade da vida.

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